Pesquisa que Weverton ‘lidera’ tem indícios de fraudes

Levantamento divulgado pela Econométrica, tem como ‘responsável técnico’ desembargador do TRT. Em 2018, Instituto chegou a divulgar pesquisa por uma estaticista que já estava morta

A pesquisa eleitoral divulgada nesta quarta-feira (02/03), da Econométrica, que mostra o senador Weverton Rocha (PDT) ‘liderando’ a disputa pelo governo do estado na cidade de Imperatriz, segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, pode ter indícios de fraude. Além de supostamente maquiar os resultados, a amostragem eleitoral foi bancada pelo instituto.

No cenário estimulado, quando são apresentados os nomes dos pré-candidatos, o levantamento apontou que o pedetista tem 40% de preferência do eleitorado. Ele é seguido por Roberto Rocha (PSDB), com 23,2%, e Lahesio Bonfim (Agir), com 13,8%.

Posteriormente aparecem Carlos Brandão (PSDB), com 11,4%; Josimar de Maranhãozinho (PL), com 2,5%; Edivaldo Holanda Júnior (PSD), com 1%; e Simplício Araújo (Solidariedade) e Enilton Rodrigues (Psol), ambos com 0,7%. Brancos e nulos somaram 3,7% e não sabem/não responderam totalizaram 3%.

A pesquisa, registrada sob o número MA-05277/2022, foi realizada entre os dias 20 e 22 de fevereiro no centro de Imperatriz e localidades vizinhas. Foram ouvidas 405 pessoas, a margem de erro é de 4,8% com um intervalo de confiança de 95%.

Fraude tenta interferir na eleição

O problema, entretanto, é que as suspeitas de irregularidades recaem sobre o instituto. Não é de hoje que essas empresas convivem com esses indícios. Enquanto os olhos do TSE estão voltados para o combate à desinformação, um esquema capaz de influenciar os resultados eleitorais cresce a cada dia no país, principalmente nas pequenas cidades.

O número de pesquisas bancadas pela própria empresa – como no caso da Econométrica – que realiza o levantamento praticamente triplica a cada ano, segundo dados do próprio tribunal. Até o mês de setembro de 2020, 3.499 pesquisas foram registradas nesse molde – 174% a mais na comparação com o mesmo período em 2016 (1.279).

A expansão do mercado de medição da intenção de votos vem acompanhada de práticas que podem interferir no processo eleitoral, principalmente nas pequenas cidades. Os números escondem a falta de controle de qualidade dos levantamentos que são produzidos e registrados oficialmente como pesquisas.

Desembargador pode assinar pesquisa?

O blog do Antônio Martins apurou alguns indícios de irregularidades envolvendo a Econométrica. Um deles é com relação ao nome do estatístico identificado por Sergio Pinto Martins. O nome do profissional, registrado no Conselho de Estatística da 5ª Região (CONRE 5ª), é o mesmo do Desembargador Corregedor do TRT – Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. 

Curioso, por exemplo, é que no dia 10 de junho de 2021, através do oficio nº 666/2021, o mesmo Sergio Pinto Martins solicitava da Corregedoria Regional Eleitoral (CRE) de São Paulo, dados sobre nova versão do Sistema de Informações Eleitorais – SIEL, comunicando a necessidade de o usuário efetuar novo cadastro para acesso à plataforma, conforme descrito no Manual do Usuário Externo, conforme documento em anexo.

Por conta da coincidência, existe outra suspeita de fraudes no uso dos nomes dos estatísticos responsáveis pelo embasamento técnico da pesquisa. Não é a primeira vez que situações como essas, envolvendo a empresa ocorrem no Maranhão.

Talvez o Instituto Econométrica seja protagonista dos maiores escândalo nas últimas eleições. Em 2018, pesquisa divulgada pelo Instituto, foi assinada por Celene Raposo de Aquino. Acontece que ela estava morta 19 dias antes do registro da amostragem, que foi feito no Tribunal em 26 de agosto daquele ano. Apesar do constrangimento, o Instituto Econométrica voltou a registrar pesquisa.

O que diz os órgãos?

Em 2020, durante entrevista a O Globo, o vice presidente do Conselho Federal de Estatística, Mauricio Pinho Gama, disse que é preciso que o TSE tenha um controle maior do sistema usado para registrar os levantamentos.

“São sete regionais (do conselho) para todo o território nacional. Temos um número de funcionários pequeno. A gente tenta fazer o que pode, mas não é uma fiscalização eficaz”, pontuou.

No mesmo ano, o TSE também informou, em nota, que não realiza qualquer controle prévio sobre o resultado das pesquisas, tampouco gerencia ou cuida de sua divulgação, atuando sempre que é provocado por meio de representação. De acordo com o tribunal, um sistema com mais segurança para o registro de pesquisas seria implementado este ano, apesar da promessa, as suspeitas de irregularidades com levantamentos seguem ocorrendo.

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