Crea-MA paga R$ 52 mil a lan house por ‘vagas’ em estacionamento

Valor pago por diária de estacionamento seria suficiente para comprar um carro zero ao final de um ano.

Quem passa pela estreita Rua João Vital, no Centro Histórico de São Luís, não desconfia que ali também fica uma lan house — estabelecimento comercial onde os usuários podem pagar para utilizar um computador com acesso à Internet — que vem faturando alto com diárias de estacionamento que podem valer um carro zero ao final de um ano.

A lan house que cobra por diária de estacionamento estaria funcionando no número 171 daquela via, conhecida também por Beco da Pacotilha. No entanto, segundo levantamento realizado pelo blog junto a Receita Federal, o que consta registrado neste endereço é a empresa Carvalho e Campelo Ltda.

Lan House que fatura com estacionamento fica numa estreita rua do Centro.

O local que oferece acesso à Internet virou um negócio lucrativo com estacionamento e escancarou outra realidade: o valor pago por vaga fixa que consta em um contrato firmado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (CREA/MA) juntamente com a empresa.

A Carvalho e Campelo Ltda ganhou um contrato emergencial com dispensa de licitação para os serviços de estacionamento com vagas fixas para guarda de veículos oficias pertencentes ao CREA/MA. A proposta que foi firmada no dia 11 de janeiro, no valor de pouco mais de R$ 52 mil, teria sido favorecida pelo presidente do órgão, engenheiro Cleudson Campos de Anchieta.

Gastos com estacionamento dava pra comprar um carro.

O blog foi ao endereço citado, mas não teve sucesso na tentativa de obter esclarecimentos sobre o assunto, pois não conseguimos localizar a empresa nem os responsáveis por ela. Também tentamos localizar o presidente da entidade para comentar o caso, mas não conseguimos contato.

Outro fato curioso observado é que o objeto social da empresa, quando de sua constituição, em 07/10/2002, não faz referencia a nenhuma atividade sobre gestão de estacionamento, o que não configura o caso da contratação em questão. Entre as atividades econômicas registradas consta além de salas de acesso a internet, serviços de gravação de carimbos, exceto confecção.

Objeto social da empresa não faz referencia a atividade de estacionamento.

O contrato no valor de R$ 52 mil tem vigência de 12 meses. Isso quer dizer que a diária sairá pouco mais de R$ 20,00. Durante os sete dias da semana, o custo sobe para R$ 140,00. Por um mês, o órgão vai desembolsar o valor de R$ 4.200. Nos 12 meses do ano, o pagamento será de pouco mais de R$ 50 mil, valor que seria suficiente para comprar um carro zero ao final do contrato.

SÉRIE ESPECIAL
A partir de hoje o blog vai publicar uma série de matérias mostrando as distorções nos contratos de Cleudson Campos no comando do CREA-MA. Há casos em que uma única empresa ganhou mais de um contrato por serviços que poderiam ser executados numa única proposta. Os gastos com essa empresa passam dos R$ 240 mil. Aguardem!

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