Denúncia do blog motivou investigação contra deputado

Aluísio Mendes denuncia Josimar de Maranhãozinho por suposta falsificação de documentos.

O deputado federal Aluísio Mendes, líder do PODEMOS na Câmara Federal, pediu a instauração de investigação federal contra o deputado estadual Josimar Cunha Rodrigues, o Josimar de Maranhãozinho, presidente regional do PR, baseados em documentos obtidos e publicados pelo blog, em abril de 2015.

Na época, mostramos com exclusividade, que o diploma apresentado pelo deputado maranhense ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), para registro de candidatura nas eleições de 2014, visando comprovar a sua escolaridade poderia não ser verdadeiro. Isso porque o documento expedido pelo Colégio Pentecostal Cândido Rodrigues, sediado na capital maranhense, informa que o “Moral da BR”, como é mais conhecido, havia concluído a 8ª do ensino fundamental na entidade em 1999. No entanto, um vídeo divulgado no YouTube mostrando a trajetória do político, antes de se tornar prefeito e deputado, levanta suspeita para a compra do diploma.

>>Deputado é suspeito de usar diploma falso no registro da candidatura

Para dá entrada na notícia-crime no Ministério Público Eleitoral (MPE) do Maranhão, Aluísio apresentou mais de 130 documentos e uma mídia em vídeo em que constam vários elementos que necessitam de profunda averiguação. Há, por exemplo, assinaturas – que seriam de Maranhãozinho – que não coincidem com o nome do deputado estadual ou não são iguais a outras a ele atribuídas. Na denúncia, é questionada ainda a autenticidade de documentos usados pelo presidente estadual do PR para comprovar a escolaridade declarada à Justiça Eleitoral.

Pelo Código Eleitoral, “falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro para fins eleitorais” é crime sujeito a reclusão de até cinco anos e pagamento de três a 10 dias-multa.

De acordo com Aluísio Mendes, a denúncia é gravíssima e merece profunda investigação, pois trata de fatos que não podem ser tolerados ou aceitos, principalmente se cometidos por um homem público. “Por isso pedimos a investigação e aguardamos as providências dos órgãos competentes, assim como temos agido com relação a todas as denúncias que chegam ao nosso gabinete”, ressaltou.

 

INFORMAÇÕES CONTRADITÓRIAS
A Lei Eleitoral proíbe a candidatura de pessoas que não sabem ler e escrever. Em 2008, ao registrar candidatura para disputar a reeleição de prefeito da cidade de Maranhãozinho, Josimar afirmou ter ensino médio completo. No entanto, as contradições começam a surgir nas cenas que foram gravadas quando ele participou de um clip para comemorar o aniversário de 41 anos da cidade que administrou.

O histórico do diploma apresentado à Justiça Eleitoral, informa que em 1992, Josimar concluía a 1ª serie do ensino fundamental na capital maranhense, mas no vídeo, o deputado diz que nessa época ‘trabalhava como vendedor viajando’. Por esse motivo se abre um questionamento: como fez para conciliar o estudo em São Luís com as viagens pelo país para realizar suas vendas, conforme o documento apresentado ao TRE-MA no ato do registro de sua candidatura?

A suspeita de fraude fica mais evidente quando em determinado trecho, o documentário cita que o parlamentar chega ao Maranhão, em 1995.

– Em 1995, em sociedade com o irmão Aldir, Josimar compra uma fazenda no estado do Maranhão, no então povoado de Maranhãozinho – informa trecho da gravação. O problema é que o diploma usado no registro da candidatura diz que em 1995, Josimar concluía a 4ª série do ensino fundamental em São Luís.

Documento diz que deputado concluiu 1ª série do fundamental em 1992, período, segundo declaração em vídeo, trabalhava viajando como vendedor pelo país.

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