Sem coligação, vereadores correm risco de eliminação

Tenho feito algumas análises sobre a eleição proporcional de 2020 e as dificuldades que os Vereadores detentores de mandato terão que enfrentar. A primeira é a de encontrar um partido para disputar a eleição; segunda, será a formação de quadros destes partidos que possa garantir a reeleição destes parlamentares.
Com o fim das coligações partidárias para as eleições municipais, muitos destes correm risco de eliminação. Na prática isso significa que as saladas de três, quatro e até cinco partidos que eram feitas à véspera das eleições (à custa de muita grana) para elegerem um ou dois vereadores (no voto de legenda) acabaram. No pleito vindouro, é cada partido por si. Os que tiverem alcançado o quociente eleitoral para fazer vereadores sobreviverão. Os que não alcançarem, babau!
Antigamente, o sistema oferecia uma vantagem para vereadores de mandato em relação aos demais candidatos. Um líder comunitário da periferia tinha poucas chances de vitória contra um mandatário com comitê ativo – e financiado com dinheiro público – ao longo de toda legislatura.
Agora, sem a possibilidade de união entre as legendas, os dirigentes dos partidos deverão lançar mão de estratégias que deem mais condições de angariar votos e garantir por conta própria às cadeiras nas Câmaras Municipais nas eleições do ano que vem.
A dificuldade para quem tem mandato é, portanto, a seguinte: imagine o cenário sendo você o presidente de um pequeno partido, com um número X de candidatos já dispostos a concorrer o que dá para fazer voto de legenda suficiente para apenas um vereador. Tudo o que você menos vai querer neste “seu” partido é um vereador com mandato e estrutura para tirar a sua vaga (afinal, ninguém é bobo). Esse é um cenário.
Outro cenário são os “mega blocos”. Vereadores que não querem pagar o preço de “montar um partido” que acabam formando blocos e competindo nas cabeças. Neste caso, o risco também é grande e a “linha de corte” (número mínimo de votos para se eleger) fica mais letal do que pipa com cerol.
Só para lembrar que o PRB, nas eleições passadas em São Luís, teve vereador que perdeu a cadeira [Bispo Paulo Luiz], mesmo tendo 7 mil votos nas urnas. Logo a tendência é que se forme uma chapa com quadros competitivos, o que aumentaria a chance e o risco para seus financiadores. O ideal é um ou dois “puxadores de votos” dando possibilidade para um terceiro vereador entrar na sobra.
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