Formados estão prontos, mas não há vaga no mercado

Dados da pesquisa da ABMES mostram as empresas consideram que apenas 39% dos recém-formados estão aptos ao mercado. Após longos anos de estudo, preparação por meio de estágios e outras contribuições, há uma expectativa grande para a conquista de um emprego.
No entanto, se por um lado os recém-formados se sentem aptos e preparados para o mercado de trabalho, as empresas os enxergam com outros olhos. De acordo com estudo recente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), essa conclusão é comprovada com números.
62% dos recém-formados se sentem prontos para ingressar no mercado de trabalho, ao passo que, para as empresas, apenas 39% deles estão bem capacitados e aptos.
Falta sintonia às univercidades
Na maior parte das vezes, diz Celso Niskier, diretor-presidente da ABMES e reitor da UniCarioca, em entrevista ao jornal O Globo, essa percepção ocorre porque as universidades não atendem às demandas e exigências que o mercado de trabalho exige.
“No mercado de trabalho, as pessoas são contratadas pelas competências técnicas e demitidas pela falta de competências socioemocionais. É uma pessoa muito boa, mas que não sabe trabalhar em equipe, exercer liderança, não usa a criatividade, etc.”, salienta. Ele também destaca que é preciso buscar inovação, tendo sempre em vista a adequação ao que o mercado pede.
“O grande desafio para as instituições de educação superior é fazer inovação, criar cursos fora do padrão, mas muitas vezes isso acaba não tendo espaço no currículo, porque essas instituições precisam se adequar aos modelos atuais de avaliação”, ressalta o educador.
Recém-formados e oportunidades
Se já era difícil conseguir um espaço no mercado de trabalho logo após a formação, esse cenário está ainda mais difícil por causa da pandemia. De acordo com pesquisa encomendada pelo Valor Investe, produzida pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), a média de recém-formados que conquistaram vagas em sua área de atuação entre o fim de 2019 e 2020 é de cerca de 15%, inferior aos anos anteriores no período pré-pandemia.
O estudo mostra ainda que apenas 52,12% dessas pessoas estão fora do mercado de trabalho e 76,5% não trabalham na área em que estudaram. E, embora por vezes, as empresas destaquem que os recém-formados não tiveram tanto tempo de experiência, a pesquisa do Nube mostra que 60,8% dos entrevistados fizeram estágio na área.
Até mesmo para áreas que costumam ser mais abertas no mercado, o cenário é o mesmo. Profissionais formados em faculdade de administração destacam mais exigências para vagas consideradas de nível júnior, o que dificulta o processo de seleção.
Na pesquisa do Nube, 65,7% dos entrevistados destacaram que as empresas pediam uma experiência que eles não tinham e 12,7% sequer conseguiram encontrar vagas na área de atuação para a qual estudaram.
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