“Máfia” do transporte já foi denunciada no Legislativo

O jornalista Linhares Júnior, publicou um vídeo em seu blog homônimo, com comentários explicando como funciona a máfia montada para chantagear o chefe do Executivo de São Luís a aumentar as passagens e extorquir a população.
Segundo ele, fatos são escondidos da população para facilitar a atuação de um grupo criminoso instalado há décadas no sistema de transporte público da capital.
No entanto, embora pareça algo novo, essa não é a primeira vez que se tem notícia sobre o assunto. O ex-vereador Fábio Câmara, por exemplo, foi o primeiro a levantar essas suspeitas mostrando, inclusive, que uma espécie de braço do sistema estaria atuando, inclusive, dentro de um órgão público.
O ano era 2014, quando o parlamentar ocupou a tribuna da Câmara Municipal para fazer a grave denúncia durante a sessão plenária. Na época, ele apresentou contratos, no valor de R$ 1.318.922,40, que estariam sendo pagos pela Prefeitura de São Luís para uma empresa que nunca funcionou no endereço informado à Receita Federal.
A Consulttrans-Consultoria Especializada Ltda., segundo Câmara, foi contratada para apoio técnico, logístico, assessoramento, supervisão, apoio administrativo, consultoria e execução de Projetos da Secretaria Municipal de Transito e Transporte (SMTT) – para o Sistema Integrado de Transportes (SIT).
O acordo, sob o regime de ‘empreitada’, por preço unitário, foi assinado no dia 22 de março de 2012 ainda na gestão anterior, mas foi mantido pela atual administração através de um aditivo, assinado no dia 02 de abril de 2013, pela ex-secretária Myrian Aguiar.

A situação fica ainda mais complicada quando se procura a empresa no endereço que aparece no Convite nº 003/2013/CPL/PMSL. No lugar onde a Consulttrans estava registrada funcionava a residência do senhor Manoel Cruz Júnior, que seria o proprietário da empresa, conforme a denúncia.
O local ficava no Jardim Eldorado, área nobre de São Luís. No entanto, no nº 12, quadra 21, da Rua Coronel Paiva, ninguém nunca ouviu falar da empresa por lá.
Fábio, que era presidente da Comissão de Transporte da Câmara, ficou mais surpreso ainda quando entrou em contato com o telefone fornecido pela empresa, disponível no próprio Convite nº 003/2013. O número é da sala da Gerência de Transporte da SMTT.
Surpresa maior, foi quando a secretária transferiu a chamada para a sala de Manoel Cruz que, apesar de não ter nomeação na pasta, ocupa o cargo de gerente do Sistema Integrado de Transportes.
O vereador questionou o contrato da SMTT com a empresa, fez aprovar uma convocação do ex-secretário Carlos Rogerio e afirmou que estaria tomando as providências necessárias junto aos órgãos competentes. Naquele momento vinha à tona a prova mais real do que seria um braço da máfia e como o esquema agia usando, inclusive, a própria estrutura estatal.
“É minha função como vereador fiscalizar os atos de executivo, por isso, investiguei e descobrir que a empresa não tem sede própria, os funcionários e o telefone são de responsabilidades da SMTT. E para piorar ainda mais: a Consulttrans não consegue separar o que é público e privado na SMTT”, concluiu o parlamentar à época.
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