Precariedade no transporte escolar de São Luís vira alvo do MPMA

Discurso de uma capital “transformada” esbarra em problemas que continuam afetando diretamente a população.

Um ofício do Ministério Público do Maranhão expõe uma situação preocupante no transporte escolar da rede municipal, especialmente nas comunidades da Zona Rural da capital. No documento, a 5ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa da Educação de São Luís informou ter tomado conhecimento de “graves reclamações” relacionadas à precariedade das condições de trabalho e da remuneração dos monitores escolares que acompanham diariamente crianças nos ônibus do município. Saiba mais aqui.

Segundo o documento, há relatos de que a remuneração média desses profissionais estaria abaixo do salário mínimo nacional. O Ministério Público também aponta uma redução considerada “acentuada e injustificada” no quadro de monitores, situação que, segundo o órgão, seria resultado de um “reiterado abandono administrativo nos últimos anos”.

Crianças podem estar sendo transportadas sem acompanhamento suficiente

O problema ganha uma dimensão ainda mais grave porque os monitores são responsáveis pelo acompanhamento e monitoramento das crianças durante o trajeto entre suas residências e as escolas.

O próprio Ministério Público afirma que a insuficiência quantitativa de servidores para essa atividade “vulnerabiliza diretamente as crianças” durante o deslocamento diário e compromete o direito à educação com padrão de qualidade e segurança.

MP quer saber se os ônibus escolares oferecem segurança

Diante das denúncias, o Ministério Público requisitou à Secretaria Municipal de Educação informações detalhadas sobre a situação do serviço.

Entre os documentos cobrados estão os laudos de vistoria técnica emitidos pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, a SMTT, para verificar as condições de segurança, manutenção preventiva e qualidade mecânica da frota de ônibus escolares utilizada pelo município.

O MPMA também quer saber quantos monitores efetivos estão atualmente em atividade, onde estão lotados, quais são suas jornadas e vencimentos e como esses profissionais estão distribuídos pelas rotas escolares da Zona Rural.

Além disso, a Prefeitura deverá informar quais empresas são contratadas para realizar o transporte escolar, quanto é gasto anualmente com o serviço e quantos monitores terceirizados estão trabalhando, incluindo suas respectivas rotas e remunerações.

Prefeitura terá 10 dias para responder

O Ministério Público estabeleceu prazo improrrogável de 10 dias para que a Secretaria Municipal de Educação apresente as informações solicitadas.

O objetivo, segundo o documento, é subsidiar eventual inquérito ou outras medidas destinadas a garantir a legalidade e proteger o direito à educação.

O ofício foi assinado pelo promotor de Justiça Lindonjonson Gonçalves de Sousa em 28 de agosto de 2026.

O problema que não pode ser escondido

O documento do Ministério Público coloca uma questão que precisa ser respondida pela administração municipal: enquanto o discurso oficial apresenta uma São Luís em transformação, como explicar problemas apontados pelo próprio MP em um serviço essencial que transporta diariamente crianças da rede pública?

Não se trata apenas de discutir números ou contratos. Trata-se da segurança de crianças que dependem do transporte escolar para chegar à sala de aula.

A população de São Luís merece saber em que condições esses ônibus estão circulando, se a frota passa pelas vistorias necessárias e se existe quantidade suficiente de profissionais para acompanhar os estudantes.

A “São Luís transformada” precisa ser mais do que discurso. Precisa aparecer na realidade de quem depende dos serviços públicos todos os dias.

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