Municípios afundam com contabilidade ‘faz de conta’ e despreparo

Na contabilidade pública do Maranhão, o débito é da competência e o crédito parece ser do improviso. Nenhum dos 217 municípios alcançou nota A no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal do Tesouro Nacional, referente a 2025. São Luís ficou com C, Caxias caiu para D e Rosário mergulhou na faixa E, com apenas 44,67%. Ao todo, 48 municípios ficaram entre D e E. Os erros envolvem depreciação de bens, estoques, provisões trabalhistas, Fundeb, SIOPE, restos a pagar e disponibilidade de caixa. Há demonstrativos que não conversam entre si nem por bilhete.

Diante desse vexame, a pergunta é inevitável: onde está a associação dos contadores e quem se diz representante da classe? Representação não pode servir apenas para ocupar mesa de honra, aparecer em fotografias e publicar mensagens em datas comemorativas. Quem se apresenta como porta-voz dos profissionais precisa explicar quais ações concretas promoveu para capacitar, orientar e defender tecnicamente os contadores que trabalham nos municípios. Enquanto isso, parte da categoria continua presa ao ritual de empenhar, fechar balanço, transmitir arquivos e torcer para ninguém conferir.

Sistemas deficientes, equipes reduzidas e gestores desorganizados não podem servir eternamente de desculpa. Quem assume responsabilidade técnica precisa estudar, atualizar-se e recusar a assinatura de informações inconsistentes. Os erros podem provocar pareceres desfavoráveis, responsabilizações e reprovação das contas dos gestores, atingindo a credibilidade de toda a classe contábil. Enquanto faltar qualificação e sobrar silêncio entre os representantes, as contas continuarão fechando apenas no papel — porque, na vida real, a conta sempre sobra para o povo.

Leia mais notícias em blogdoantoniomartins.com e siga nossa página no Facebook. Envie fotos, denúncias e informações ao blog por WhatsApp pelo telefone (98) 99218 9330.

Deixe uma resposta