Pré-candidatos do PROS teriam sido ‘comprados’ para serem usados como ‘escadas’ de Beto Castro
A denúncia sobre um suposto pagamento de ‘mensalinho’ mostrada, ontem, pelo jornalista Antônio Filho em seu blog, pode ser apenas a ponta do iceberg podendo, inclusive, virar alvo de investigação da Policia Federal.
A muito se ouvia nos meios políticos o relato de acertos comerciais onde os vendedores, para fechar negócios particulares com alguns dos membros do diretório ou até mesmo vereador de um determinado partido, exigiam a assinatura de filiação nas agremiações partidárias. No entanto, as negociações só eram realizadas com aquelas pessoas que tinham potenciais para serem candidatos a vereadores.
O caso mostrado ontem, por exemplo, pode passar a ser investigado pela justiça. Isso porque envolve um esquema que, segundo as denúncias, teria diretamente a participação do vereador Beto Castro, dirigente do Partido Republicano da Ordem Social (PROS), em São Luís.
DELATORES DO ESQUEMA
Além de Castro, o esquema de corrupção tem o conluio de onze pré-candidatos do Pros, alguns deles, por exemplo, já haviam participado do mesmo tipo de negociação em outros partidos como PR e PRTB.
O esquema só veio à tona depois que o PROS resolveu fechar com “chapão” formado por PDT-PR-DEM E PROS. Com a decisão, o partido presidido por Gastão Vieira, descartou pré-candidatos e alguns deles abandonaram a campanha mesmo antes de começar.
Revoltados, esses doze pré-candidatos enganados, resolveram abrir o bico e contaram detalhes do esquema numa carta assinada por eles mesmos. Segundo os relatos dos denunciantes, a negociação para ‘comprar’ pré-candidatos para servirem de escada do vereador Beto Castro começou em 2015, durante um encontro com filiados do partido, realizado numa chácara localizada na Estrada da Maioba.
Os delatores afirmam que, no dia em foram assinar a filiação, ocorreu churrasco, show, bebidas e presença do presidente estadual do partido, Gastão Vieira. Ali começava uma caminhada longa repleta de falsas promessas e regadas de muitas mentiras.
De acordo com eles, em 2016, o partido voltou a se reunir. E mais uma vez com casa cheia nas primeiras reuniões. Estava todo mundo empolgado nos primeiros momentos. Sabia-se que alguns filiados que vieram de outros partidos recebiam dinheiro de Beto Castro para se filiarem e se manterem no partido, o que ficou popularmente conhecido como “feijão”, relatado pelo secretário do partido, Paulo Victor. A piada chegou a causar um mal estar logo nas primeiras reuniões, já que apenas um seleto grupo recebia o tal “mensalinho” que foi batizado de “feijão”.
Segundo Durans, um dos pré-candidatos a vereador que hoje não se encontra mais no grupo, “no primeiro mês caiu R$ 700 reais, depois não caiu mais nenhum centavos”.
A estratégia dos dirigentes do Pros era muito simples: o partido tinha ambição de sair só nas eleições municipais, portanto, precisava de um grupo forte e coeso. Para isso era preciso investir em alguns nomes. Na cabeça dos dirigentes, os personagens eram sempre os mesmos: como Tiririca e Assan Kaid, ambos os candidatos nas ultimas eleições que em menos de dois anos flertaram com pelos menos duas legendas. O caso é grave e pode ganhar proporções maiores.






