Eleição de coordenador da bancada federal antecipa confronto de 2018

Do Repórter Tempo

O acirramento do embate político no Maranhão está contaminando todas as áreas onde se pode apontar quem é governo e quem é oposição. O reflexo mais recente dessa confrontação ocorreu na eleição do novo coordenador da bancada federal, que era baseada na perspectiva da produção de resultados, mas foi transformada numa guerra entre forças ligadas ao movimento liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e as que seguem a orientação do Grupo Sarney, mais diretamente da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB). E o desfecho desse cabo de aço foi a eleição, na semana que passou, do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), para o posto, vencendo, por 11 votos a 9, o deputado federal João Marcelo Souza (PMDB). Sem colocar em discussão a competência política e parlamentar dos dois jovens deputados, o resultado da disputa sugere uma discussão oportuna sobre a importância da coordenação da bancada federal e o risco que ela está correndo aso se transformar em mais um campo de embate entre as forças que se digladiam no tabuleiro político do Maranhão.

Para muitos, a coordenação tem pouca importância, sendo o cargo de coordenador apenas figurativo. Outros, porém, avaliam que, na verdade, se bem articulada e operada sob a motivação de um pragmatismo sensato, que enxergue o interesse comum, a coordenação pode ser, sim, um instrumento valiosíssimo de ação política na relação da bancada federal com as instâncias da própria Câmara Federal e, principalmente, com o Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios quando assuntos de importância fundamental para o Maranhão estão em jogo em Brasília. Tanto que nas últimas legislaturas, a coordenação tem sido cada vez mais disputada, exatamente porque tem aumentado a importância da interlocução nas sensíveis relações políticas que movem os espaços de poder no Planalto Central.

Até os Governos de Lula da Silva (PT), a eleição do coordenador se dava quase que por consenso, mas com o aval os deputados de oposição, o que equivalia a quase uma nomeação. Mas qual era o fator decisivo para a escolha? O poder de influência, o trânsito e o acesso do coordenador nas mais diferentes esferas do Poder Executivo. E mais: quando o tema a ser tratado era de interesse comum, os integrantes da bancada camuflavam as suas diferenças e formavam um só bloco na defesa da matéria. Havia até mesmo casos em que assuntos de interesse de um deputado fossem tratados pelo coordenador. De uns tempos para cá, as decisões consensuais da bancada federal estão rareando. Isso não significa dizer que o instrumento caminha para um colapso de perda de importância e sentido, mas não há como esconder o fato de que a “politização” da escolha coloca-o em risco.

A disputa que colocou em confronto “eleitoral” o comunista Rubens Jr. e o pemedebista João Marcelo Souza fugiu completamente à tradição que limitava o processo a uma movimentação interna da bancada, com alguma influência externa, mas nada ostensivo como ocorreu agora. Rubens Jr. foi fortemente apoiado pelo governador Flávio Dino, que mobilizou todos os seus canais para fortalecer o seu candidato, enquanto João Marcelo Souza foi turbinado, primeiro, pelo pai e guia político, o senador João Alberto (PMDB), seus braços partidários, e também pela ex-governadora Roseana Sarney que, temporariamente radicada em Brasília, usou todos os seus meios no apoio à candidatura. Os dois lados promoveram reuniões, documentos de apoio, telefonemas, enfim, todos os meios possíveis para dar suporte a cada um dos candidatos. E o resultado, que deu a vitória a Rubens Jr. por 11 contra 9 dados a João Marcelo Souza, refletiu com muita clareza que o processo de escolha foi na verdade um confronto político de grande porte entre Governo e Oposição no Maranhão.

O desfecho desse confronto produziu uma certeza: a escolha do coordenador da bancada federal do Maranhão nunca mais se dará no limite dos interesses dos deputados nas suas relações com as suas bases, e fatalmente passará a ser definida pelos interesses de Governo e Oposição. Nada de absurdo, mas sem dúvida uma mudança de costume e de sentido.

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