Relação de parceria faz de Brandão uma opção natural

De todos os atuais governadores, Flávio Dino (PCdoB) é, de longe, o que tem o vice mais aliado, mais confiável, mais integrado ao Governo e o politicamente mais bem articulado. Político traquejado, Carlos Brandão (PRB) vem tendo atuação efetiva e, às vezes, decisiva nas entranhas do Poder Executivo estadual, também operando como articulador. E com lastro sólido dentro do grupo governista, que reúne 16 partidos, Carlos Brandão começa a sair de uma posição atuante, mas discreta, para se colocar em espaço destacado do cenário político, cumprindo uma agenda intensa de inaugurações, representações, articulações, compromissos que lhes são delegados pelo governador Flávio Dino. Sempre medindo cuidadosamente cada passo, e lembrando que ainda é muito cedo para definições relacionadas com a sucessão do governador Flávio Dino, o vice-governador admite que seu projeto é candidatar-se à sucessão, e não esconde que já está trabalhando politicamente nessa direção, mas com o cuidado de não atropelar o processo nem criar embaraços para o governador. É nesse contexto que o vice-governador é hoje o nome da situação para 2022.

Aos 60 anos, Carlos Brandão tem se mostrado um político hábil e muito experiente. Esse lastro o tornou “um vice ideal”, que atua rigorosamente de acordo com o titular e não conspira. Ao mesmo tempo em que cumpre tarefas políticas, administrativas e de representação que lhe são dadas pelo governador Flávio Dino, o vice-governador dá sequência a um roteiro próprio, que inclui conversas com deputados estaduais e federais, prefeitos e   vereadores, junto aos quais atua para viabilizar o seu projeto político cujo ponto alto será sua candidatura ao Governo do Estado.

– Se eu vier a assumir o Governo, serei candidato, porque só terei dois caminhos: cumprir o mandato e vestir o pijama ou lutar para me reeleger. Decidi pela candidatura – diz, com visível convicção de que pode chegar lá.

Cada movimento seu é muito bem pensado. E isso acontece por causa da rica experiência que acumulou como secretário de Meio Ambiente, de Articulação Política e chefe da Casa Civil no Governo José Reinaldo Tavares, coordenador de campanhas  majoritárias, dois produtivos mandatos de deputado federal e quase cinco anos como vice-governador. No posto atual, já assumiu o Governo em várias oportunidades, e foi escalado pelo governador Flávio Dino para incursionar em mais de 20 países – fez seis viagens à China, por exemplo – em busca de investidores para o Maranhão. Avalia os resultados como positivos, principalmente com os chineses.

– Me sinto preparado para qualquer desafio – diz ele, com segurança e garantido pelo abrangente e profundo conhecimento que tem do Governo, da máquina administrativa, da situação fiscal, das dificuldades financeiras impostas pela crise que prejudica o País e pelas filigranas que geram tensões na seara política. Afirma, com visível autoridade, que, apesar das imensas dificuldades que enfrenta, o Maranhão é um estado financeiramente equilibrado, que paga a folha em dia, cumpre obrigações e faz investimentos. Elogia o arrojo do projeto do governador Flávio Dino, chamando atenção para duas dezenas de novos hospitais, três dezenas de restaurantes populares, duas dezenas de escolas de tempo integral e centenas de Escolas Dignas, além dos Iemas. E afirma estar preparado para dar continuidade a esse projeto.

Carlos Brandão não se ilude com a ideia de que o Governo lhe cairá no colo. Sabe que tem concorrentes na própria base governista, como o senador Weverton Rocha (PDT), que não esconde o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões, e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que também ensaia candidatura. Sabe que haverá disputa, mas acredita que uma boa articulação política pode produzir um grande acordo que lhe assegure a vez. E descarta, com certa aspereza, a ideia de trocar o processo natural de assumir o Governo em abril de 2022 e se tornar candidato natural à sucessão por uma vaga no Tribunal de Contas. “Isso nem pensar”, afirma, ratificando o projeto de candidatura. Mas com a postura de que tudo isso está condicionado a um fator decisivo: “A palavra final sobre tudo isso será a do governador Flávio Dino, que é o nosso líder”.

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