Relatório paralelo queria indiciar quatro familiares de Edson Araújo

Parecer incluiu Edson Araújo, a esposa Selma Azevedo, os filhos Edson Júnior e Wolmer Araújo, bem como o irmão Gilson Cunha.

A bancada do governo na CPMI do INSS apresentou um relatório alternativo que apontava o suposto envolvimento de cerca de 130 pessoas, entre elas o deputado estadual maranhense Edson Araújo, que teria movimentado mais de R$ 73 milhões entre 2024 e 2025, período em que presidiu uma federação de pescadores no Maranhão e foi vice-presidente nacional de outra.

O relatório paralelo obtido pelo blog do Antônio Martins, mas que não chegou a ser votado pelo colegiado, incluiu, além de Edson Araújo, sua esposa Selma de Azevedo Araújo, seus filhos Edson Cunha de Araújo Júnior e Wolmer de Azevedo Araújo, bem como seu irmão Gilson Cunha de Araújo.

Após a derrota do parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou a reunião sem a votação do texto defendido pela base do governo. A CPMI do INSS chegou ao fim sem um relatório aprovado.

R$ 1, 9 mi em autotransferências

O texto foi elaborado com base no Relatório de Inteligência Financeira (RIF), documento sigiloso produzido pelo COAF. O documento aponta várias autotransferências realizadas por Edson de Araújo, nas quais ele atuou como remetente de R$ 1.903.856,27 para si mesmo e como destinatário de outros R$ 5.836.667,27. No entanto, o fato de que as operações foram fracionadas é notável. Como remetente, houve 339 lançamentos, e como destinatário, 1.342.

Segundo as informações, a realização de transferências fracionadas é um indício de que o deputado maranhense buscava camuflar o volume de valores que recebia, por certo para não chamar a atenção do próprio COAF.

Esposa, filhos e irmão no esquema

Foi possível identificar, ainda, que Edson Araújo se valia de parentes próximos como um segundo núcleo para o escoamento dos recursos recebidos. Nesse sentido, verificou-se que ele transferiu R$ 226.955,34 para sua esposa, Selma de Azevedo Araújo; R$ 218,8 mil198 ao seu filho, Edson Cunha de Araújo Júnior; R$ 295.845199 ao seu outro filho, Wolmer de Azevedo Araújo; e R$ 740.386,26200 ao seu irmão, Gilson Cunha de Araújo, tendo este último, ainda, recebido R$ 223.331,50201 da Federação.

“Durante a oitiva de Abraão Lincoln nesta Comissão, no dia 3 de novembro de 2025, as condutas praticadas por Edson Araújo foram abordadas, ocasião em que o vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr., indagou o depoente sobre o recebimento de valores pelo deputado por meio da CBPA, e o repasse de parte dos valores para a conta de um assessor da Assembleia Legislativa do Maranhão. Em razão disso, Edson Araújo ameaçou o deputado Duarte Jr., que, em 4 de novembro de 2025, registrou ocorrência policial por crime de ameaça”, diz trecho do parecer chamado de ‘relatório da maioria’.

Baixe aqui a íntegra do documento

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