
O advogado Willer Tomaz
O principal comprador do Sistema Difusora do Maranhão, o advogado Willer Thomaz, ligado ao ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, também foi preso pela Polícia Federal, em São Luís, após delação premiada bombástica da JBS.
O motivo da prisão do dono da Difusora
é que ele teria cooptado um procurador da operação Lava Jato para passar informações ao dono da JBS.
A prisão caiu como uma bomba no Sistema Difusora de Comunicação, que pertencia ao senador Edison Lobão (PMDB), também envolvido em várias delações premiadas da operação Lava Jato.
O advogado Willer Tomaz foi detido por ordem do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, acusado de tentar interferir no andamento da chamada operação greenfield, que investiga os fundos de pensão. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma ainda que ele tentou interferir nas negociações delações premiadas com envolvidos no caso.
O presidente da OAB-DF Juliano Costa Couto, afirmou à ConJur que não advoga para a empresa JBS nem para o empresário Joesley Batista, que teria delatado Willer Tomaz. Ele esclarece ainda que nenhum policial foi até sua casa.
Segundo Costa Couto, um cliente seu, que é amigo de Joesley, o procurou pedindo nomes de advogados para defender um conhecido na operação greenfield. Ele afirma que foi procurado como presidente da OAB-DF e apenas sugeriu o nome de Willer Tomaz, por ser um criminalista conhecido em Brasília.

A pré-candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) pode ficar extremamente abalada, politicamente, diante das últimas denúncias e suspeitas de envolvimento direto do presidente da República, Michel Temer (PMDB), para abafar os novos rumos da Operação Lava Jato. Temer é hoje um dos principais apoiadores da ainda virtual pré-candidatura da ex-mandatária do Maranhão ao Palácio dos Leões, para as eleições de 2018.
Informações do jornal O Globo dão conta que os donos do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, disseram em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso na operação Lava Jato. A informação é do colunista do jornal “O Globo” Lauro Jardim.
Ainda não há informação sobre se a delação foi homologada. O Supremo Tribunal Federal (STF) não se pronunciou na quarta-feira, 17, sobre a delação. Isso é importante porque a partir da homologação se pode levantar o sigilo e, com isso, se confirmar a fala do presidente. A TV Globo apurou que participantes da investigação confirmaram que tudo que O Globo publicou é verdade.
Segundo o jornal, o empresário Joesley entregou uma gravação feita em 7 de março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver assuntos da J&F, uma holding que controla o frigorífico JBS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Rocha Loures já foi chefe de Relações Institucionais da Presidência, quando Temer era vice-presidente e assessor especial da presidência após o impeachment de Dilma Rousseff.
A reportagem relata que o dono da JBS marcou um encontro com Rocha Loures em Brasília e contou o que precisava no Cade. Pelo serviço, segundo ‘O Globo’, Joesley ofereceu propina de 5% e Rocha Lores deu o aval.
As negociações teriam continuado em outra reunião, entre Rocha Loures e Ricardo Saud, diretor da JBS. Foi combinado o pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, R$ 480 milhões ao longo de duas décadas. Posteriormente, Rocha Lourdes foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.
Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”
Na delação de Joesley, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, é gravado pedindo ao empresário R$ 2 milhões. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato.
A entrega do dinheiro foi feita a Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, que foi diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.
Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor da JBS, Ricardo Saud. Foram quatro entregas, de R$ 500 mil cada uma. Um dos pagamentos foi filmado pela Polícia Federal (PF). A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).
Outra filmagem mostra que Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar de Perella. Segundo a reportagem, no material que chegou às mãos do ministro Edson Fachin no STF a PGR diz ter elementos para afirmar que o dinheiro recebido pelos assessores de Aécio Neves não era para os advogados.
Defesa– Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência disse que o presidente Michel Temer “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”.

Um dos mandados de prisão cumpridos nesta quinta-feira, 18, pela Polícia Federal, no bojo dos novos escândalos que abalaram a República nesta quarta-feira, 17, tem como alvo o procurador Ângelo Goulart Vieira.
A informação é do site O Antagonista.
Goulart Vieira é assessor do procurador-geral eleitoral Nicolao Dino.
Nicolao, que é candidato a procurador-geral da República, é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também já delatado na Lava Jato.
Goulart atuou na força-tarefa do Ministério Público Federal que atuou nas operações contra o próprio Frigorífico JBS e foi denunciado na delação de Joesley Batista.
No prédio do Tribunal Superior Eleitoral, a PF faz busca e apreensão de computadores usados por Goulart.
O escândalo ameaça a República…

Roberto Rocha queria uma “vara especializada” para julgar políticos. Agora com a emenda de última hora, quer que político só seja preso após decisão do STJ.
Ou seja, é um foro piorado.

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do Donato Brandão Costa, fundador de uma seita religiosa do Maranhão que se autodenominava brandanismo e que foi acusada de promover a castração de jovens e outros crimes.
O relator, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, apontou que os questionamentos se referem a ação penal iniciada em 1999 e cuja condenação transitou em julgado em 2004. Assim, eventual nulidade absoluta não pode mais repercutir sobre a realidade processual, protegida pelo instituto da coisa julgada.
No início do processo, o Ministério Público apresentou denúncia de prática de lesão corporal gravíssima, estelionato, atentado ao pudor, alteração de registro, falsificação de documento público e falsidade ideológica. A série de crimes ocorreu há 18 anos e gerou condenação de 28 anos em regime fechado ao líder da organização Mundial, que se apresentava como “entidade filantrópica”.
Nulidades
O habeas corpus impetrado no STJ defendeu a necessidade de anulação da ação penal por esta ter sido, supostamente, pautada em inúmeras nulidades, como invasão de domicílio, violação do princípio do juiz natural e do promotor natural, incomunicabilidade do réu, indeferimento de diligências, tortura de testemunhas, interrogatório de menores sem curador, incompetência da Justiça estadual e outras.
O relator, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, não considerou viável a análise de nulidade do processo, pois a maioria dos temas não foi apreciada pelo tribunal de origem, o que impede o STJ de se manifestar a respeito, sob pena de supressão de instância.