O duelo entre Roseana Sarney e Flávio Dino em 2018

Flávio e Roseana irão se enfrentar em 2018?

Por: José Linhares Jr

Bem, agora é oficial. Roseana Sarney entrou na “pré-temporada” da disputa de 2018. Nesta semana a notícia de que a ex-governadora estaria empatada com Flávio Dino nas intenções de voto para 2018 atiçou as redes sociais. O que está por trás desse alvoroço?

Quando foi eleito em 2014 Flávio Dino jurou virar a página do sarneísmo da política estadual. O rompimento com as práticas que perpetuaram os sarneys e seus acólitos por décadas seria inevitável, prometia o recém-empossado Flávio Dino em 2015.

Dois anos depois das promessas, uma parte da população se excita com a volta daquilo que quase todo o Maranhão decidiu renunciar nas últimas eleições. O duelo entre Roseana Sarney e Flávio Dino vai se tornando mais provável a cada dia.

Passados dois anos de governo Flávio Dino, a figura do sarneísmo e Roseana Sarney deveria ser uma memória e nada mais que isso. Se hoje a herdeira política de José Sarney galga os primeiros lugares nas intenções de voto colada no atual governador, é porque o governo está deixando a desejar.

E deixa a desejar porque o povo esperava de Flávio Dino muito mais do que um governo mediano. Infelizmente o maior aliado do passado é a ineficiência no presente a falta de perspectiva de futuro.

A revolução prometida por Flávio Dino não veio. E, pior, não existem expectativas de que ela esteja sendo gestada e venha a nascer nos próximos meses. E assim temos o ambiente propício para a volta dos mortos-vivos.

Com todo o respeito aos sarneístas, mas a única chance de Roseana reside no fracasso do governo. Então, vamos aos outros fatos…

O governo Flávio Dino não possui uma bandeira. Transforma crises, muitas delas rotineiras em qualquer governo, em confronto político. Prefere a gritaria à solução dos problemas. Não desceu do palanque desde 2014. E, para finalizar, é incapaz de mostrar ao povo que está em curso um projeto para o estado. A impressão que todos temos é a de que o governo vive cada dia como se fosse o último e faz as coisas sob demanda. Não investe em planejamento, prefere a tensão política.

A vitória de Flávio Dino foi, sem dúvida, uma marco político no estado. Sua possível derrota em 2018 será maior.

Ainda restam dois anos para sabermos se o embate entre Flávio Dino e Roseana Sarney irá acontecer. Caso ocorra, deve entrar para a história como um dos mais acirrados e mais qualificados dos últimos tempos.

E com os outros possíveis postulantes (Maura Jorge, Wellington do Curso e Roberto Rocha) a coisa promete ser ainda melhor.

Maranhense surge como candidato ao STF

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) está na etapa final de formação da lista tríplice — a ser enviada ao presidente Michel Temer — para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dias, surgiu um novo possível candidato à vaga: Reynaldo Soares da Fonseca, atual ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Reynaldo é um dos magistrados federais que compõem a lista, a qual também leva o nome do juiz Sérgio Moro, do Paraná, e de outros ministros do STJ, como Mauro Campbell Marques, Isabel Gallotti e Nefi Cordeiro. Ele ocupa o cargo no Tribunal da Cidadania desde maio de 2015, oriundo do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

O togado despontou — além de pelo fato de ser juiz de carreira — devido aos rumores de proximidade com Michel Temer. Pesa também a favor do ministro a influência de outro personagem importante na carreira e trajetória do presidente da República: o correligionário José Sarney. O maranhense teria feito campanha a favor do conterrâneo Reynaldo da Fonseca quando ele ainda concorria ao cargo de ministro do STJ.

Desde o trágico acidente que vitimou o ministro do STF Teori Zavascki, então relator da Lava Jato, as especulações a respeito de quem seria o próximo ministro do STF tiveram início. A única restrição legalmente prevista é de que, de acordo com a Constituição Federal, os ministros do STF devem ser “escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada”.

Confira os nomes mais cotados nas apostas para a cadeira suprema:

Sérgio Moro (Juiz Federal do Paraná)
Alexandre de Moraes (Ministério da Justiça)
Grace Mendonça (Advocacia Geral da União)
Ives Gandra Martins Filho (Tribunal Superior do Trabalho)
Heleno Torres (Advogado e professor)
João Otávio Noronha (Superior Tribunal de Justiça)
Luis Felipe Salomão (Superior Tribunal de Justiça)
Ricardo Villas Bôas Cueva (Superior Tribunal de Justiça)
Rogério Schietti (Superior Tribunal de Justiça)
Mauro Campbell Marques (Superior Tribunal de Justiça)
Isabel Gallotti (Superior Tribunal de Justiça)
Nefi Cordeiro (Superior Tribunal de Justiça)

Briga entre moradores termina em morte

Uma briga entre dois moradores terminou com a morte de Fernando Lucas Castro Pinheiro, de 34 anos, na manhã desse sábado (28). A briga aconteceu em uma quitinete na rua da Alegria, Centro.

De acordo com informações da polícia, os moradores estavam brigando quando Fernando foi esfaqueado. Ele foi socorrido e levado para o hospital Socorrão II, mas não resistiu.

O outro morador identificado apenas como “Louro” fugiu do local, sem prestar socorro à vítima.

Ocupante de cargo político não deve entender crítica como ofensa pessoal


Quem ocupa cargos políticos está mais sujeito a críticas e exposto à mídia, inclusive a redes sociais. Por isso, o 5º Juizado Especial Cível de Brasília extinguiu uma ação por danos morais ajuizada pelo presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens, contra a ativista Carla Zambelli. A decisão é da última quarta-feira (25/1).

Boudens havia pedido indenização de R$ 30 mil a Zambelli por causa de um vídeo gravado por ela com críticas a posicionamentos dele e da Fenapef. No vídeo, ela critica a Proposta de Emenda à Constituição 361, que, entre outras medidas, transforma o cargo de delegado de polícia numa progressão da carreira. Hoje, os delegados são escolhidos por meio de concursos públicos exclusivos para bacharéis em Direito.

No vídeo, publicado no Facebook, Zambelli afirma que Boudens é “preguiçoso, que quer vida fácil e deveria estudar para ser delegado federal”. Ela também diz que ele “usa de seu cargo para fazer política”. Para Boudens, “o tom utilizado é carregado de chacota e desprezo e traz, de um projeto legislativo e da opinião explicitada a respeito do ministro da Justiça, conclusão desconexa e afrontosa a sua honra”.

Em sua defesa, feita pelo advogado Geraldo Luiz dos Santos Lima Filho, a ativista disse que não mencionou o nome de Boudens no vídeo, apenas fez referência a ele, e por isso não causou qualquer dano ao policial. Segundo ela, Boudens “vestiu a carapuça”.

Carla Zambelli é conhecida nas redes sociais por sua militância antipetista e de ataque a quadros do partido. É criadora do movimento “Brasil Nas Ruas”, que advoga ideias como “despetizar nossas escolas”, “fim do Foro de SP” e “liberação do porte de armas”. Em janeiro, publicou no Facebook que “não dá para continuar perdendo nossos policiais e os direitos humanos chorando os arranhões dos bandidos”. Depois das chacinas em presídios, disse que “o povo brasileiro está se lichando para a morte de traficantes e estupradores”.

Mais recentemente, compartilhou um vídeo que conclamava a transferência de Marisa Letícia Lula da Silva a um hospital cadastrado na rede do SUS e comentou “é bem isso aí!”. Dona Marisa está internada no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em coma, por causa de um acidente vascular cerebral (AVC).

Em julho de 2016, Carla Zambelli foi identificada como responsável por um protesto em que chamava o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, de “petralha”. Antes disso, havia se amarrado a um poste em frente à Câmara dos Deputados para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Boudens é presidente da Fenapef, uma associação sindical que reúne membros de todas as carreiras da Polícia Federal, mas especialmente agentes e escrivães. A crítica dele ao concurso para delegados é conhecida e tem apoio de colegas e de membros do Ministério Público Federal.

Para ele, a regra criou uma “bacharelização do cargo de delegado”, que deveria ser ocupado por agentes promovidos, numa forma de valorizar a experiência “de rua” e de investigação. Boudens diz que as faculdades de Direito não preparam investigadores nem coordenadores de inquéritos, e por isso o formato da carreira acaba sendo um dos vários gargalos para as investigações policiais.

Na sentença, a juíza Rita de Cássia de Cerqueira Lima Rocha escreveu que Boudens “não se mostrou acessível a críticas contra seu ponto de vista a respeito de questões de interesse dos policiais federais”. “Era de se esperar que o presidente da Fenapef não levasse a questão para o lado pessoal, mas que tivesse o bom senso de valer-se da situação e defender seu ponto de vista no ambiente democrático das redes sociais.”

Ka’apor enfrenta madeireiros, Funai e criminalizações em defesa da TI Alto Turiaçu

Do CIMI

Entre 2013 e 2016, a Guarda Florestal organizada pelos Ka’apor fechou 14 ramais madeireiros no interior da Terra Indígena Alto Turiaçu, localizada no Maranhão. O impacto gerado nos ganhos ilegais dos patrões da madeira trouxe consequências ao povo. Em abril de 2015, o indígena Eusébio Ka’apor foi assassinado com dois tiros nas costas. Em dezembro do mesmo ano, cerca de 60 madeireiros invadiram a aldeia Turizinho. Na ação, a adolescente Iraúna Ka’apor acabou sequestrada pelos madeireiros — e segue desaparecida apesar das denúncias feitas à Polícia Federal.

Para este ano, o Conselho de Gestão do povo não espera algo diferente. “Estamos fazendo esse trabalho sozinhos. A Funai, que deveria nos ajudar, só tem atrapalhado”, explica Itahu Ka’apor. Divisão interna e criminalização de apoiadores do povo são algumas das intervenções dos agentes do órgão indigenista denunciadas pelos indígenas. No último mês de dezembro, quatro indigenistas foram proibidos judicialmente de entrar na Terra Indígena Alto Turiaçu.

“São pessoas que nos apoiam e respondem por isso. O Conselho de Gestão não foi consultado sobre essa decisão. A Funai tinha era que impedir a entrada dos madeireiros, não de quem nos ajuda a construir um projeto de vida diferenciado, com autonomia”, enfatiza Itahu. Para o Conselho, por trás do impedimento judicial está o interesse dos madeireiros. Entendendo a decisão como desproposital, o juiz José Carlos do Vale Madeira da 3 Vara Federal de São Luís a tornou sem efeito.

Nesta quinta-feira, 26, os integrantes do Conselho foram a São Luís denunciar o episódio em conversas com órgãos estaduais e federais, incluindo demandas com o Programa Nacional de Defensores de Direitos Humanos. “A Funai tem dito que estamos divididos. Não estamos. Das 17 aldeias, 14 apoiam o Conselho de Gestão. As outras três caíram na conversa de que o povo tem de ter cacique e a Funai nomeou um. Quem nos divide é a Funai, que não respeita a forma de organizar do povo”, diz.

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) segue a mesma linha da Funai. No final de novembro, os Ka’apor ocuparam por três dias o Pólo Base de Saúde em Zé do Doca. “Entre 2015 e 2016, 40 Ka’apor morreram por desassistência. Nossas aldeias tem muitos problemas de saúde. Pacientes estão se encaminhando por conta aos hospitais, onde sofrem discriminação. Queremos outros profissionais, um melhor atendimento. Por isso o protesto. Não dá pra ver quieto parente morrendo”, pondera Gilmar Ka’apor.

Como resposta, os Ka’apor foram atacados pelos órgãos federais e o episódio serviu para a ação de banimento judicial dos quatro indigenistas da Terra Indígena Alto Turiaçu. “Era por conta da nossa saúde indígena e aproveitaram para tentar enfraquecer o Conselho de Gestão e o nosso projeto de vida autônomo. É esse projeto que tem protegido a terra dos madeireiros e nos feito avaliar de forma crítica as políticas públicas pro povo indígena”, pontua Itahu.

Os indígenas afirmam que nessa região a movimentação madeireira ocorre 24 horas. Para quem quiser ver, mas nada é feito. Na verdade é o local de livre trânsito que restou aos madeireiros. Todos os demais são fiscalizados, com ramais antes abertos para as cidades de Centro do Guilherme, Santa Luzia e Governador Lúcio Freire. Um deles, o Ramal 45, é onde constantemente os Ka’apor sofrem ameaças e emboscadas. Ou seja, mesmo com a Guarda os madeireiros ainda tentam entrar na terra indígena.

“Trabalho do guarda florestal vai continuar. Por isso a gente não aceita venda ilegal de madeira. Estamos fechando ramais. Se entrar, vamos fazer nosso trabalho porque temos de defender o nosso território. A Funai tem que somar, mas só tem trazido problemas”, explica Itahu. O indígena destaca que o povo não quer voltar ao passado, quando os madeireiros levavam bebidas alcoólicas, drogas e violência às aldeias.

“Vivíamos mal. Hoje estamos fortalecidos, inclusive na educação escolar e alimentos diferenciados, da gente”. A Funai, conforme os indígenas, decidiu abandoná-los por tais escolhas. “Desde agosto de 2016 fecharam a CTL (Coordenação Técnica Local) e ninguém sabe se alguém assumiu, não fomos informados de nada. Estamos perdidos, sem informação. Sobre a questão da aposentadoria, não sabemos de nada, nunca mais falaram com a gente”.

Itahu complementa: “Não temos caciques dentro da terra indígena, só o Conselho de Gestão e os conselhos das aldeias. Vamos continuar conforme a maneira do nosso povo. Comida, escola, vida, organização: tudo diferenciado. Não vamos aceitar essa intervenção que nos enfraquece, tenta nos dividir e coloca madeireiro dentro do território”.