São Luís entre as cidades que mais demitiram no Brasil em 2016

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A cidade de São Luís está entre as 10 cidades que mais registraram demissões no Brasil no primeiro trimestre de 2016.

A capital do Maranhão ficou em sétimo lugar num ranking de 50 cidades, com 7.141 postos de trabalho perdidos nos três primeiros meses do ano.

Os dados – que referem-se à diferença entre admissões e demissões – são do Ministério do Trabalho.

Veja a lista das 50 cidades que mais demitiram no 1º trimestre
RJ-Rio de Janeiro: -32164
SP-São Paulo: -30336
MG-Belo Horizonte: -14821
AM-Manaus: -10792
PE-Recife: -8695
SP-Matão: -7141
MA-São Luís: -7107

Na outra ponta da tabela está Imperatriz. O segundo maior município do estado está entre os 50 que mais geraram emprego no mesmo período.

Lá, o balanço é positivo em 1.006 postos de trabalho.

Veja as 50 cidades que mais contrataram no primeiro trimestre
RS-Santa Cruz do Sul, 5064
SP-Franca, 4936
MG-Nova Serrana, 3248
RS-Venâncio Aires, 3188
SC-Blumenau, 2801
RS-Vacaria, 2780
GO-Cristalina, 2057
SP-Guairá, 1579
SP-Vista Alegre do Alto, 1277
PR-Capanema, 1265
MG-São Gotardo, 1234
SP-Birigui, 1181
AL-Arapiraca, 1087
MA-Imperatriz, 1006

Muro de escola desaba e mata estudante em São João dos Patos

Uma estudante identificada como Raíssa de Sousa Silva, de apenas 10 anos, morreu no fim da tarde desta sexta-feira (22), no município de São João dos Patos, a 540 km de São Luís, após parte do muro da Unidade Integrada 31 de Março ter desabado.

Segundo informações do delegado plantonista da 12ª Delegacia Regional de São João dos Patos, José Jailson da Silva, o acidente fatal aconteceu após o motorista reconhecido como Genival Carvalho de Sá, 39, ter realizado uma manobra no carro de som no qual ele conduzia. O veículo estava dando suporte aos alunos durante a realização de uma gincana escolar. O delegado acrescenta que após a traseira do veículo ter colidido com parte do muro da escola a estrutura caiu e atingiu a menina.

Parte do muro da Unidade Integrada 31 de Março em São João dos Patos desabou após manobra de motorista

“Estava acontecendo uma gincana nesta unidade escolar e o motorista estava se preparando para dirigir para os alunos. No momento em que ele realizava uma manobra a traseira do carro bateu no muro e a Raíssa que estava encostada no muro dentro da escola acabou sendo atingida e morreu na hora”, relatou o delegado.

Ainda conforme o delegado, além de Raíssa foi atingida também pelo o muro da escola a adolescente Brenda Gomes da Silva, 14, e Miriane Gonçalves do Rosário, 16, que atualmente está grávida. Ambas estudam na Unidade Integrada 31 de Março e não sofrem risco de morte, de acordo com o delegado.

“Nessa situação também saíram feridas a Brenda Gomes da Silva e a Miriane Gonçalves do Rosário porque na verdade eram elas três que estavam encostadas no muro. A Brenda pelo o que eu já apurei foi levada para o hospital na cidade de Presidente Dutra. Ela teve lesões mais graves, mas já está bem e a Miriane que está grávida foi levada mesmo para o hospital daqui de São João dos Patos. Ela foi liberada hoje e tanto ela como o bebê estão bem”, revelou o delegado.

O delegado José Jailson da Silva afirma que Genival Carvalho de Sá não tem passagem pela a polícia e irá responder o processo em liberdade, já que ele prestou socorro às vítimas. Ele irá responder pelos crimes de homicídio culposo, que não tem intenção de matar, e lesão corporal grave.

“Ele foi qualificado e interrogado e vai responder em liberdade porque como ele prestou socorro às meninas a lei nesse caso o autoriza a responder todo o processo em liberdade”, finalizou o delegado.

O corpo de Raíssa de Sousa Silva foi sepultado no fim da manhã deste sábado (23) no Cemitério São Sebastião, em São João dos Patos.

Câmara de Anajatuba aceita denúncia para cassar mandato de Hélder Aragão

Por 6 X 2, os vereadores de Anajatuba aceitaram, na manhã de sexta-feira (22), a denúncia formulada pelo Ministério Público para cassar os mandatos do prefeito afastado – Hélder Aragão e dos vereadores Ednilson dos Santos e Álida Maria Mendes dos Santos. O trio, acusado do desvio de quase R$ 14 milhões de reais, foi preso no dia 20 de outubro do ano passado, e desde então se encontra afastado dos seus respectivos cargos.

Em clima de muita tranquilidade, muito embora a população tenha lotado o plenário, os vereadores Saulo Fabiano Carvalho, Luís Fernando Soares Mendes, o Fernando da Colônia, Claudio Gama, Marcelo Santos Bogea, Domingos Albino Bezerra e Ana Cristina Moreira Costa, Cristina do Sindicato votaram pelo recebimento da denúncia, enquanto a vereadora Maria Celeste de Freitas, ex-líder do governo e o vereador João Pereira de Aragão, irmão do prefeito, votaram contra.

Logo após o resultado, os vereadores Marcelo Bogea, Cristina do Sindicato e Saulo Machado foram escolhidos para integrar a Comissão que irá elaborar o relatório e submeter ao plenário do Legislativo Municipal.

Na representação assinada pelo promotor de Justiça Carlos Augusto Soares, todos são acusados de improbidade administrativa, por fraudar contratos e licitações firmados entre a Prefeitura de Anajatuba e as empresas de fachada “A-4”, “Vieira & Bezerra”, “Construtora Construir” e “M A Silva Ribeiro”, de propriedade de Fabiano de Carvalho Bezerra e Antônio José Fernando Júnior Batista Vieira.

O prefeito e seus assessores foram postos em liberdade no dia 13 de dezembro do ano passado, por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, após aceitar fazer uso de tornozeleira eletrônica, situação em que se encontram até a presente data.

Conciliador, ‘charmosão’ e ‘mordomo de filme de terror’: as várias faces de Michel Temer

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Michel Temer: vice-presidente lidera rebelião na base governista, diante da maior recessão econômica em décadas, um escândalo de corrupção nacional e um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Ele já foi chamado de “charmosão” a “mordomo de filme de terror”. Escreve poemas em guardanapos e já foi descrito como um professor “bonzinho” que não cobra presença dos alunos. Passa raspando por escândalos e até nas urnas, mas lidera o partido que, mesmo sem disputar uma eleição presidencial há mais de 20 anos, é o mais presente no governo federal desde a redemocratização – e agora tem chances reais de comandar o país.

O sinal verde dado pela Câmara dos Deputados para a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff no domingo colocou Michel Temer, aos 75 anos, mais próximo que nunca do poder presidencial de fato.

O processo será enviado nesta segunda-feira ao Senado, que decidirá por votação se o admite. Se isso ocorrer, a presidente pode ser afastada por 180 dias – com Temer no comando do país – enquanto os senadores julgam o impeachment.

Até dezembro de 2015, prevalecia a imagem cultivada por Michel Temer em 34 anos de vida pública – e alimentada por amigos e aliados: a do político “ponderado”, “formal”, “conciliador”, “tranquilo”. A crise política, contudo, revelou aspectos diferentes da persona política do vice-presidente da República e a necessidade de se entender quem é, afinal, o político conhecido como “esfinge” do PMDB.

O jogo mudou na já histórica carta-desabafo dirigida à Dilma Rousseff seis dias após a abertura do processo de impeachment. No texto, em tom sentimental, ele lamenta a condição de “vice decorativo” e diz ser alvo de “desconfiança” e “menosprezo” do governo.

Se até então o peemedebista avançava casa a casa no xadrez do poder, o episódio foi um ponto fora da curva que marcou o afastamento de Temer do governo – e mostrou outra nuance da personalidade do vice-presidente.

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Dilma e Temer em campanha no interior de São Paulo em setembro de 2014; pouco mais de um ano depois, vice escreveria carta que marcou rompimento com governo

Criticado até dentro do PMDB pela carta, considerada por alguns “infantil” e “primária”, em 2016, Temer parece ter seguido a lição de seus próprios versos, como os do poema Exposição, publicado no livro Anônima Intimidade (2013).

“Escrever é expor-se / revelar sua capacidade / ou incapacidade / E sua intimidade / Nas linhas e entrelinhas / Não teria sido mais útil silenciar?”

Retomou a atitude fria do político que acumulou prestígio atuando das portas dos gabinetes para dentro e se lançou na articulação do desembarque do PMDB do governo.

Origens

Em Btaaboura, vilarejo de 200 habitantes no norte do Líbano, a principal rua leva o nome de “Michel Tamer (sic), vice-presidente do Brasil”.

A família de Temer, de católicos maronitas, emigrou para o Brasil em 1925, fugindo dos problemas do pós-guerra. Comprou uma chácara em Tietê (SP), cidade de 40 mil habitantes entre Sorocaba e Piracicaba, e instalou uma máquina de beneficiamento de arroz e café.

Caçula temporão de oito irmãos, Temer nasceu e foi criado na área rural. Quando criança, passava férias na capital e era arrebatado pela metrópole. “Tinha a sensação que o mundo era São Paulo”, disse certa vez.

No primeiro ano colegial, ainda em Tietê, o adolescente ficou em recuperação (segunda época) em química e física e desistiu do chamado curso científico, que privilegiava ciências exatas e biológicas.

Em 1957, aos 16 anos, chegou a São Paulo, desta vez para terminar o colegial no curso clássico, com ênfase em humanas e letras. Fez o cursinho do professor Castelões, famoso preparatório para Direito, e ingressou na USP, seguindo o caminho de quatro irmãos mais velhos.

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Temer (segundo da dir. para esq.) nos tempos da Faculdade de Direito da USP: ênfase na política estudantil

Envolveu-se com política logo no primeiro ano de universidade, quando se tornou segundo-tesoureiro do Centro Acadêmico 11 de Agosto. Prevalecia à época no movimento estudantil uma onda nacionalista, inspirada pela revolução cubana de Fidel Castro e o princípio da autodeterminação dos povos, mas a faculdade do Largo São Francisco mantinha a tendência liberal.

Em 1962, já em meio ao clima que culminaria dois anos depois no golpe que depôs João Goulart, Temer foi candidato a presidente do CA – perdeu por 82 votos, mas inoculou-se do gosto pela política, que ficaria dormente durante a ditadura militar.

“Confesso que durante a faculdade fiz muita política acadêmica, então sobrava pouco tempo para estudar, embora estudasse para não ser reprovado”, disse Temer em vídeo publicado em seu canal no YouTube.

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Temer na formatura em direito, em 1964

Academia e governo

Neutro diante do golpe (não apoiou nem combateu a mudança de governo), Temer passou o regime militar longe da vida política. Montou um escritório de advocacia e começou a dar aulas de Direito na PUC-SP.

Como professor, costumava dizer no primeiro dia de aulas que todos estavam aprovados. “Vamos combinar o seguinte: não tem lista de presença, vocês estão aprovados. Quem quiser frequenta a aula. Até se vocês não vierem, facilitam minha vida, porque vou ao escritório mais cedo trabalhar na advocacia”, afirmava.

No mestrado que coordenava na PUC, teve alunos que viriam a se tornar ministros do Supremo Tribunal Federal, como Luiz Edson Fachin e Carlos Ayres Britto.

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Temer em evento acadêmico em 1982, ano da publicação de seu principal livro de direito

“Ele sempre foi sereno e conciliador por natureza”, disse Ayres Britto à BBC Brasil. “Tem uma vocação acadêmica muito forte, e nunca pensei que fosse incursionar pelo campo da política partidária.”

Em 1982, lançou Elementos de Direito Constitucional, livro que vendeu mais de 240 mil cópias, está na 24ª edição e até hoje é referência nas universidades.

“É uma obra bem primária, mas com valor didático. Não é inovadora. (Temer) não é considerado um grande teórico, mas um grande expositor”, avalia o jurista Dalmo Dallari, professor emérito da USP e crítico ao impeachment de Dilma.

No mesmo ano da publicação do livro, Temer foi convidado pelo governador eleito Franco Montoro, do recém-fundado PMDB, a assumir a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo. Montoro tinha sido professor da PUC e ambos haviam convivido na faculdade.

Era seu primeiro cargo público de relevo. “Eu tinha 41 anos e achava o máximo para a minha carreira ter mil procuradores sob meu comando”, disse Temer em 2010 à revista Piauí.

Meses depois, Michel Temer assumiria a Secretaria de Segurança Pública do Estado, substituindo o advogado José Carlos Dias, quem justamente havia sugerido Temer para a Procuradoria do Estado.

Eram tempos de redemocratização e agitação social, e a gestão ficou marcada por episódios em que o secretário negociou pessoalmente o fim de invasões de prédios públicos por estudantes e militantes sem-teto. Como realizações do período, ele costuma citar a criação das primeiras delegacias de defesa da mulher e de direitos autorais do país.

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“Eu não conhecia nada, não tinha contatos”, disse Temer em entrevista de 2010 sobre o primeiro período à frente da segurança pública em São Paulo

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Em inauguração em 1985, ainda na primeira gestão como secretário de Segurança Pública de SP

Eleições

Por sugestão de Montoro, Temer candidatou-se a deputado federal pelo PMDB em 1986. Com 43.747 votos, ficou como suplente, mas assumiu o cargo no ano seguinte e participou da Assembleia Constituinte.

Naquelas discussões, opôs-se à emenda popular da reforma agrária (“permitiria a desapropriação indiscriminada de terras”) e ao voto aos 16 anos – que, segundo ele, abriria margem para reduzir a maioridade penal. Ajudou a aprovar projetos como o dos juizados de pequenas causas, do Código de Defesa do Consumidor e a extensão do voto a cabos e soldados.

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Em entrevista em 1988, durante a Assembleia Constituinte: voto contra reforma agrária e voto aos 16 anos, ação por juizados especiais e código do consumidor

Em 1990, em outra candidatura à Câmara dos Deputados, saiu com 32.024 votos e uma nova suplência. Logo seria convidado a “apagar um incêndio”, algo que se repetiria ao longo da carreira política.

Em outubro de 1992, assumiu novamente a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, desta vez por convite de Luiz Antônio Fleury Filho (à época no PMDB), uma semana após o massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pela Polícia Militar.

“É organizado. Delegava para pessoas de absoluta confiança. Nada escapava dele e tomava providências”, disse à BBC Paulo de Tarso Mendonça, que foi adjunto de Temer na pasta.

Ao final da passagem pela secretaria, assumiu o mandato de deputado federal. Seria reeleito em 1994, com 70.968 votos, e multiplicaria a votação nos pleitos seguintes: 206.154 em 1998, 252.229 em 2002.

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Na segunda passagem pela pasta da segurança em SP, criou Delegacias de Defesa da Mulher, que se tornaram marca da gestão

Anos tucanos

Os anos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foram o auge de Temer nas urnas para eleições legislativas – em 2006, sua última eleição ao Congresso, obteve 99 mil votos e só entrou pelas sobras do quociente eleitoral. Também marcaram sua rápida ascensão dentro do PMDB.

Eleito líder do partido duas vezes, chegou à Presidência da Câmara pela primeira vez em 1997, com apoio do governo FHC, costurado mediante promessa dos votos de parte do PMDB à emenda da reeleição. Arranjo parecido se deu em sua segunda eleição ao comando da Casa, que se deu após o PMDB apoiar informalmente a reeleição de FHC.

No primeiro dos quatro volumes do livro Diários da Presidência, lançado em 2015 e que reúne relatos de Fernando Henrique Cardoso sobre os dois primeiros anos de seu governo (1995-1996), o ex-presidente reclama do “toma lá, dá cá” com o Congresso e demonstra desconforto com a ação do então deputado federal durante a discussão da reforma administrativa.

“E para ser mais solidário com o governo, ele (Temer) quer também alguma achega pessoal nessa questão de nomeações. É sempre assim. Temer é dos mais discretos, mas eles não escapam. Todos têm, naturalmente, seus interesses”, relata FHC no livro.

Comumente descrito por aliados como “sereno’, “tranquilo” e “conciliador”, Temer teve raras rusgas políticas em público. Uma delas foi em 1999, quando entrou em rota de colisão com o então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (então no PFL, atual DEM), por divergências em torno da reforma do Judiciário.

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Michel Temer com Antônio Carlos Magalhães (primeiro à esq.) e Fernando Henrique Cardoso, durante os anos da gestão do PSDB no Planalto

No bate-boca, que chegou a paralisar o Congresso, ACM disse que Temer tinha “pose de mordomo de filme de terror” e insinuou o envolvimento do colega em irregularidades no Porto de Santos, para o qual o peemedebista havia feito indicações políticas. “Quem atravessou a praça dos Três Poderes para pedir ao presidente da República que ajudasse um banco falido não fui eu”, rebateu Temer, em referência à ação de ACM em favor do hoje extinto Banco Econômico.

Desde 2001, Temer articula um amplo leque de interesses e líderes regionais como presidente nacional do PMDB – o maior partido do país, com 69 deputados federais, 18 senadores, 996 prefeitos e sete governadores (RO, RJ, RS, AL, SE, ES e TO), de Estados que somam 23% do PIB nacional.

Na eleição de 2002, Temer endossou o apoio do PMDB à candidatura presidencial de José Serra (PSDB), e chegou a ser cogitado para ser vice da chapa – posto que acabou com Rita Camata. No primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, manteve-se no grupo do PMDB da Câmara identificado como oposição, enquanto Lula apostava no PMDB do Senado, de Renan Calheiros e José Sarney.

Anos petistas

Os primeiros anos da era Lula foram magros para Temer. Distanciou-se do centro do poder em Brasília, perdeu cargos na Mesa Diretora da Câmara e indicações em estatais. Em 2004, candidatou-se à vice-prefeito de Luiza Erundina e a chapa amargou um quarto lugar, com 4% dos votos.

O cenário começou a mudar em 2005-06, após a maior crise do governo Lula, a do mensalão, esquema ilegal de financiamento político organizado pelo PT para garantir votos no Congresso. O PMDB negociou apoio ao presidente e passou a integrar formalmente o governo em 2007, ampliando sua fatia em ministérios e estatais.

Em acordo semelhante ao fechado com o PSDB nos anos FHC, o PMDB defendeu a eleição do PT à Presidência da Câmara no biênio 2007-2009, em troca do poder no período seguinte – em 2009, Temer assumiu a direção da Casa pela terceira vez.

Naquele mesmo ano, Temer foi citado na operação Castelo de Areia, que investigou um suposto esquema de financiamento político ilegal pela construtora Camargo Corrêa – hoje envolvida na operação Lava Jato.

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Na terceira passagem pela presidência da Câmara dos Deputados, Michel Temer, em foto de 2009 com o príncipe Charles da Inglaterra, foi aliado de primeira mão da gestão do PT no Planalto

O nome do peemedebista apareceu em um documento com 54 planilhas, apreendido na casa de um executivo da construtora, que sugeriria uma contabilidade paralela da empresa. Era citado 21 vezes, entre 1996 e 1998, ao lado de quantias que somavam US$ 345 mil (R$ 1,2 milhão, em valores de hoje).

A operação acabou anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) por irregularidades na coleta de provas, e Temer sempre rechaçou as suspeitas.

Recentemente, o senador Delcídio do Amaral (ex-PT, sem partido) implicou o vice-presidente em delação premiada dentro das investigações da operação Lava Jato. Disse que Temer teve participação direta na indicação de dois executivos da Petrobras que acabaram presos por desvios na estatal – o peemedebista se disse “indignado” e negou as afirmações.

No Planalto

Em 2010, Temer foi convocado mais uma vez ao papel de bombeiro: desta vez para garantir a estabilidade do sistema político como vice na chapa de Dilma Rousseff. O deputado unia em torno de si um partido historicamente dividido, e com um discurso que buscava superar a fama de fisiologismo da sigla.

“Antigamente o PMDB entrava na eleição dividido para depois negociar apoio ao governo eleito, por isso era chamado de fisiologista pela imprensa. Mas isso acabou. Estamos entrando na campanha juntos e governaremos juntos”, dizia às vésperas do anúncio da aliança na chapa.

Na campanha de 2010, Temer ficou praticamente de fora dos programas e propagandas eleitorais – apareceu no rádio e na TV apenas no segundo turno.

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Na vice-presidência da República, insatisfação com papel “decorativo” e “absoluta desconfiança” de Dilma

Já como inquilino do Palácio do Jaburu, a residência oficial do vice-presidente, reforçou a discrição, segundo um ex-assessor. Recusava muitos pedidos de entrevista, mas conversava (e ainda fala) diretamente com colunistas com quem tem relação mais antiga.

“Ele leva em consideração o que o assessor fala. Nunca o vi com raiva ou perdendo a compostura, mas mostra quando está irritado. Quem conhece percebe pela fisionomia e tom de voz”, disse o ex-assessor.

‘Charmosão’

Aos 75 anos, Temer está no terceiro casamento, com Marcela Temer, ex-modelo e bacharel em direito de 32 anos e 1,72 metro – 2 cm a mais que o marido. Ambos possuem um filho de sete anos, Michel Temer Filho, o Michelzinho, e Marcela está grávida do segundo filho, conforme relatos publicados na imprensa no final de 2015.

O vice-presidente e a mulher se conheceram em 2002, durante a campanha eleitoral. O pai dela, um economista conhecido de políticos de Paulínia (SP), cidade de 100 mil habitantes na região de Campinas, sugeriu que fossem cumprimentar o prefeito – e o então candidato a deputado federal Temer estava por lá.

“Era um contato profissional que poderia me ajudar a dar um up na carreira (de modelo). Mas achei ele charmosão”, disse Marcela numa rara entrevista de 2010 à revista TPM. Depois da eleição, o pai de Marcela sugeriu que enviasse um e-mail ao deputado eleito parabenizando-o pelo resultado.

O namoro – o primeiro de Marcela – começou logo após o primeiro encontro, quando recebeu uma ligação do deputado. “Ele começou a gritar: ‘te amo’, ‘te amo’, ‘te amo'”, disse Marcela na entrevista de 2010. Casaram-se quatro meses depois.

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Michel e Marcela Temer na cerimônia de posse de Dilma Rousseff em 2015; relacionamento relâmpago e discrição na vida pessoa

Além de Michelzinho, Temer possui três filhas do primeiro casamento – Luciana, 46 anos, advogada, Maristela, 44 anos, e Clarissa, 42 anos, psicólogas e psicanalistas. Tem um filho de 16 anos, fruto de um relacionamento com uma jornalista de Brasília.

O vice-presidente é ainda o integrante (embora pouco ativo) mais ilustre do país da maçonaria, a instituição cercada de mistérios e códigos que já teve protagonismo político no passado, mas hoje possui finalidades basicamente filantrópicas e de relacionamento interpessoal.

Desembarque

Nos quatro anos seguintes à vitória no pleito presidencial, Temer assumiu papel coadjuvante no governo, como deixou claro na polêmica carta à Dilma. “Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas”, escreveu.

Os sinais mais nítidos de desgaste na relação com o Planalto começaram em 2013. Naquele ano, Temer bancou, contra a vontade do Planalto, a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para liderança do PMDB na Câmara. Mais tarde, após as manifestações de 2013, disse que a ideia de uma Assembleia Constituinte exclusiva para a reforma política, uma das propostas de Dilma diante dos protestos, era “inviável”.

Na ocasião, o vice disse ainda acreditar que os protestos não pediam a renovação dos políticos, mas do sistema político. “Esse movimento não foi contra os políticos A, B ou C. Se fôssemos nessa linha, todos os Legislativos e Executivos tinham que sair de seus postos.”

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Apoio de Temer à ascensão de Eduardo Cunha na Câmara – primeiro como líder do PMDB, depois como presidente – foi fonte de desgaste com Dilma

A tensão se reduziu na campanha da reeleição em 2014. Temer subiu em palanques com Dilma pelo país e foi o primeiro a ser citado pela presidente no pronunciamento após a vitória. “Depois de ter sido um grande vice, se transformou num incansável e aguerrido militante, fervoroso militante, que andou o Brasil defendendo o nosso projeto, nossas propostas e nosso governo”, afirmou Dilma.

Em 2015, diante do agravamento da crise política e econômica, PMDB e PT divergiram na eleição à Presidência da Câmara. Temer e seu partido defenderam a candidatura vencedora de Eduardo Cunha.

Meses depois, Temer ensaiou mais uma vez o papel de bombeiro. Assumiu a articulação política do governo em abril, mas deixou a função quatro meses depois, no final de agosto.

Poucas semanas antes da saída, concedeu uma inusual entrevista na qual, nervoso, disse que o país precisava de “alguém (que) tenha a capacidade de reunificar a todos”. A interpretação corrente foi que o vice se lançara como alternativa política porque a alternativa do impeachment se tornara real.

Meses depois veio a carta à Dilma, cujo tom sentimental contrariava a postura do político cerebral muitas vezes classificado como esfinge – segundo o Houaiss: “pessoa enigmática, que pouco se manifesta e de quem não se sabe o que pensa ou sente”.

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Temer na convenção do PMDB em março que o reconduziu à presidência do partido; vice-presidente administra há 15 anos os diversos interesses regionais do maior partido do Brasil

O impeachment esfriou no começo de 2016 e Temer deu a impressão de recuo. Mas a situação de Dilma se agravou com a delação de Delcídio e as investigações sobre Lula, e Temer passou a liderar a articulação pela saída do PMDB do governo, que amplia o isolamento da gestão Dilma Rousseff e as chances de debandada de outros partidos.

“O chamado impeachment não é uma peça de país de Terceiro Mundo. A peça dos países de Terceiro, Segundo Mundo é o golpe de Estado. E nós aqui fizemos funcionar todas as nossas instituições regularmente. (…) Esse é um exemplo que ficou”, dizia Temer em 1992, em referência ao caso Fernando Collor, em entrevista – regada a vinho do Porto – ao apresentador Clodovil (1937-2009).

Após a votação de domingo na Câmara, Temer voltou a adotar uma posição de discrição – mas dessa vez para articular votos e estratégias para a fase do Senado do processo de impeachment de Dilma.

Essa deve ser uma de suas principais tarefas nas próximas semanas, enquanto o Senado forma uma comissão para analisar o processo e escolhe presidente e relator.

Este texto foi publicado originalmente em 30 de março de 2016 e atualizado após a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara.

Sem site na internet, Câmara de Vitória do Mearim descumpre Lei da Transparência

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Vereador Hélio Silva não respeita Lei da Transparência e esconde receitas e despesas da Câmara de Vitória do Mearim

Apesar da Lei Complementar 131/2009 – conhecida como Lei da Transparência – determinar que todos os órgãos públicos disponibilizem, em tempo real, informações pormenorizadas sobre as suas contas, a Câmara de Municipal de Vitória do Mearim ainda não cumpre essa legislação. Sob a presidência do vereador Hélio Wagner Rodrigues Silva (PV), a gestão do parlamento, além de não possuir site, esconde dos cidadãos vitorienses, por exemplo, a folha de pagamento de pessoal detalhando, salários de vereadores, cargos comissionados, servidores efetivos e temporários. A Casa também não divulga na internet valores gastos com diárias e balancetes, com informações sobre receitas e despesas.

Apesar de ter recebido mais de R$ 100 mil do poder executivo municipal, parlamento municipal não disponibiliza, em tempo real na internet, informações detalhadas sobre sua movimentação financeira.

Apesar de ter recebido mais de R$ 100 mil do poder executivo municipal, parlamento municipal não disponibiliza, em tempo real na internet, informações detalhadas sobre sua movimentação financeira.

Dentre as receitas, a Câmara de Vereadores de  Vitória do Mearim recebe em repasses referentes ao duodécimo a cifra de R$ 101.411,22, por mês. Além de outros repasses de menor valor. Em 2013, especificamente até o dia 20 de dezembro, o poder executivo municipal repassou para a Câmara mais de R$ 1,2 milhão. Qualquer cidadão que queira saber como e onde foi gasto, com todos os pormenores, esse recurso, não encontrará essa informação no portal da transparência do parlamento municipal. Terá, para isso, que protocolar um documento na recepção e aguarda a resposta da presidência.

Câmara gasta mais de R$ 50 mil para pagar folha salarial dos vereadores da cidade

Câmara gasta mais de R$ 50 mil para pagar folha salarial dos vereadores da cidade

Conforme estabelece a lei da Transparência, a Câmara de Municipal de Vitória do Mearim deveria manter atualizadas, em portal na internet, as informações sobre todos os atos divulgados pela gestão no decorrer da execução da despesa, no momento da sua realização. Esses dados deveriam conter os serviços prestados e a pessoa física ou jurídica que recebeu o pagamento. A Casa deveria identificar por nome ou matrícula os salários pagos a vereadores, assessores, servidores efetivos e temporários com recursos públicos.

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Mesmo tendo contadora, Câmara de Vitoria do Mearim contrata assessoria contábil por R$ 40 mil

Nada do que determina a Lei 131/2009 é realizado pela Câmara de Vitória do Mearim. Muito menos informações em tempo real, já que não existe site. Ainda segundo a legislação, o portal da transparência da Câmara deveria detalhar nominalmente a folha de pagamento com todos os nomes de servidores da Casa. Entretanto, nem site e muito menos balancetes ou salários pagos estão disponíveis na internet. Não dá para saber, por exemplo, quanto ganha cada um dos funcionários, identificando-os por nome ou matrícula.

Custo com a folha dos servidores da Casa passa de R$ 17 mil ao mês

Custo com a folha dos servidores da Casa passa de R$ 17 mil ao mês

Informações de licitações e contratos feitos pelo parlamento municipal também continuam as escondidas. O internauta que acessar procurar o site da Câmara não vai conseguir encontrar, pois não existe. Não é possível saber, em tempo real, que empresas ou pessoas físicas prestam ou prestaram serviços ou venderam bens para a Câmara de Vereadores ou quanto receberam.

A partir de hoje, essa realizada vai mudar. O blog conseguiu ter acesso à prestação de contas do presidente Hélio Wagner Rodrigues Silva (PV) de 2013 a 2015 e vai disponibilizar na integra para que os vitorienses saibam como a Casa vem gastando o dinheiro público.

BAIXE OS DOCUMENTOS
Clique aqui e aqui para baixar parte da prestação de contas de Hélio Wagner Rodrigues Silva (PV) dos meses de fevereiro e dezembro do exercício financeiro de 2013 e aqui para ter acessos aos extratos dos repasses do duodécimo referente aos doze meses daquele ano. Os documentos podem, inclusive, ajudar o Ministério Público a ingressar com uma ação na justiça contra o chefe do legislativo vitoriense por irregularidades em contratos suspeitos.

SÉRIE VAI CONTINUAR
A série “Gastos Secretos”, lançada no inicio deste mês pelo blog do ANTÔNIO MARTINS para mostrar casos secretos de corrupção entre vereadores, continuará revelando casos de corrupção envolvendo a gestão do presidente da Câmara de Vitoria do Mearim, vereador Hélio Silva. Na próxima semana vamos mostrar mais um capítulo deste episódio que vem alcançando índices de acessos no município.