
Relatório do Coaf aponta movimentações financeiras suspeitas de assessores e do parlamentar, além de possível incompatibilidade entre valores declarados e recursos movimentados
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou indícios de rachadinha envolvendo assessores do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), em análise enviada à CPMI do INSS.
O documento descreve movimentações financeiras suspeitas, realizadas em 2022, com saques frequentes e uso de contas pessoais para possível trânsito de recursos de terceiros.
Além disso, o relatório menciona que o parlamentar também realizou depósitos em espécie de forma fracionada. Segundo o Coaf, esse padrão pode indicar tentativa de dificultar a identificação de operações financeiras, o que reforça suspeitas relacionadas à prática de rachadinha.
O Relatório de Inteligência Financeira detalha que o assessor Helioenay Rodrigues de Sousa recebia salários e sacava quase a totalidade dos valores. Conforme o Coaf, há indícios de envolvimento em esquema de rachadinha, além da suspeita de uso da conta para movimentação de recursos de terceiros.
Da mesma forma, o ex-assessor Magno Moreira Pinto Júnior também realizou saques em espécie em valores que dificultam a identificação do destino final do dinheiro. O documento destaca que ele seguia padrão semelhante, com retirada quase integral dos proventos, o que reforça a suspeita de rachadinha.
O relatório também relaciona o nome de Edson Araújo à Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). A entidade é investigada por descontos não autorizados em benefícios de aposentados do INSS e teria recebido ao menos R$ 221 milhões, mesmo sem funcionários registrados.
A quebra de sigilo bancário e fiscal do deputado aponta movimentação considerada incompatível com a renda declarada. Em 2024, passaram pelas contas do parlamentar R$ 112,3 milhões, sendo R$ 88,2 milhões em créditos e R$ 24,09 milhões em débitos.
No mesmo período, a declaração de Imposto de Renda indicou rendimentos totais de R$ 972 mil. Esse valor corresponde a cerca de 1,1% dos créditos recebidos no ano, o que chamou atenção das autoridades responsáveis pela análise financeira.
Entre 2023 e 2025, a movimentação total nas contas de Edson Araújo chegou a R$ 173 milhões.
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O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) instaurou um inquérito civil para investigar denúncias de acúmulo indevido de cargos e recebimento irregular de remunerações por vereadores no município de Lago Verde. A investigação, formalizada pela Portaria nº 38/2026, tem como alvos os parlamentares Raimundo Nonato do Nascimento Viana, Franklin Costa de Oliveira e Leandro Silva Cajado. A suspeita central é de que os vereadores figurem como professores na rede municipal de ensino sem, contudo, exercerem de fato as atividades em sala de aula, o que caracterizaria a existência de “servidores fantasmas” na folha de pagamento da prefeitura.
O procedimento teve origem em uma denúncia anônima protocolada em outubro do ano passado e, após o esgotamento do prazo inicial de averiguação, foi convertido em inquérito civil para permitir o aprofundamento das diligências.
Assinado pelo promotor de Justiça Lindemberg do Nascimento Malagueta Vieira, o documento destaca a necessidade de reunir provas complementares que atestem a compatibilidade de horários ou a efetiva prestação de serviço nas unidades escolares.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, os envolvidos podem responder por atos de improbidade que ferem os princípios da moralidade e da eficiência na administração pública.
O foco do Ministério Público agora recai sobre os registros de frequência e os contracheques dos investigados para verificar se houve enriquecimento ilícito mediante o recebimento de verbas públicas sem a contrapartida do trabalho.
A investigação busca proteger o erário municipal, assegurando que os recursos destinados à educação não sejam desviados para o custeio de cargos políticos sem amparo legal. A conversão em inquérito amplia o poder de requisição de documentos por parte da Promotoria, que deve intimar os gestores da educação local para prestar esclarecimentos.
Até o momento, o MPMA não estabeleceu um prazo final para a conclusão dos trabalhos, mas a portaria sinaliza um endurecimento na fiscalização sobre a conduta dos agentes políticos da região.
Se comprovada a fraude, os vereadores podem enfrentar sanções que vão desde a perda do cargo e dos direitos políticos até o ressarcimento integral dos valores recebidos indevidamente aos cofres de Lago Verde. O espaço permanece aberto para que as defesas dos parlamentares citados apresentem suas justificativas sobre a cumulação das funções.
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias para que o Senado e o senador Carlos Viana (Podemos-MG) respondam à acusação de irregularidades no repasse de R$ 3,6 milhões em emendas a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, sediada em Belo Horizonte.
A decisão foi motivada por uma representação dos deputados Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), que acusaram Viana de barrar a investigação da Lagoinha na condição de presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com as informações apresentadas a Dino, Viana teria destinado três repasses à Fundação Oasis, braço social da Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão:
R$ 1,5 milhão (2019): emenda Pix à Prefeitura de Belo Horizonte com destino carimbado à Fundação Oasis;
R$ 1,47 milhão (2023): repasse à Fundação Oasis de Capim Branco (região metropolitana de BH);
R$ 650,9 mil (2025): novo repasse à filial de Capim Branco.
“A destinação de R$ 3,6 milhões à Fundação Oasis ao longo de três exercícios, por parlamentar que mantém relação de financiamento habitual com a entidade beneficiária e que, na posição de presidente de comissão investigativa, atua para protegê-la de investigações,” escreveram os senadores que acionaram Dino.
A Igreja da Lagoinha está envolvida nas discussões da CPI do INSS no contexto de possíveis fraudes em empréstimos consignados do Banco Master, de Daniel Vorcaro, sobre benefícios do INSS. O ex-pastor da Lagoinha Fabiano Zattel é cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro de esquemas fraudulentos.
Relator no Supremo de uma ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) sobre a transparência e a rastreabilidade de emendas parlamentares, Dino afirmou que o caso merece ser esclarecido.
“À vista da necessidade de assegurar o cumprimento do Acórdão deste STF, de dezembro de 2022, que fixou balizas quanto à transparência e à rastreabilidade de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares”, justificou o ministro.
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Ação nacional mira esquema milionário e tem desdobramentos no MA. (Foto: divulgação / Polícia Civil)
Uma pessoa foi presa e buscas e apreensões foram realizadas, nesta quinta-feira (19), durante uma operação que identificou 22 duas empresas, nas cidades de São Luís e São José de Ribamar, que estariam ligadas a um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As ações foram executadas pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), como parte da “Operação Resina Oculta”. Trata-se de uma operação nacional, que cumpriu mandados simultâneos em diversos estados. Ao todo, foram 41 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão no Distrito Federal, Maranhão, Goiás e Amazonas.
As investigações apontam que a organização movimentava valores milionários por meio de empresas de fachada e plataformas digitais.

Operação contra tráfico e lavagem cumpre mandados em duas cidades do MA. (Foto: divulgação / Polícia Civil)
Duas cidades maranhenses são alvo
Segundo a Coordenação de Repressão às Drogas (CORD/PCDF), o grupo utilizava empresas fictícias para ocultar e lavar o dinheiro. Apenas uma dessas empresas teria movimentado cerca de R$ 30 milhões em um período de 45 dias.
Empresas suspeitas de esquema ilegal
Em São Luís, a polícia identificou 22 empresas ligadas ao esquema. As ordens judiciais foram cumpridas em escritórios localizados em área nobre da capital e em um apartamento no bairro Araçagi, em São José de Ribamar.

Operação nacional mira esquema de drogas e prende suspeito no MA. (Foto: divulgação / Polícia Civil)
Nesse último endereço, o alvo do mandado de prisão foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Com apoio da Superintendência Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Senarc), os policiais apreenderam uma pistola calibre .40, cinco munições do mesmo calibre e 11 munições calibre 9 mm. Também foram recolhidos três notebooks, um tablet, três celulares e pen drives.
O preso e o material apreendido foram levados para a sede da Senarc, onde foram adotadas as medidas legais.
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O Ministério Público do Maranhão recomendou, em 19 de março de 2026, o encerramento do contrato do Consórcio Via SL com a Prefeitura de São Luís. A medida foi expedida pela 12ª Promotoria de Justiça do Consumidor após identificação de falhas graves no transporte público, consideradas incompatíveis com a continuidade da concessão.
Segundo o órgão, a gestão municipal deve instaurar imediatamente processo administrativo para extinguir o vínculo contratual. A recomendação do MP sobre o Consórcio Via SL aponta incapacidade operacional da empresa em manter o serviço, o que compromete o atendimento à população.
De acordo com o documento, a recomendação do MP sobre o Consórcio Via SL se baseia em sucessivos descumprimentos contratuais. Entre os problemas estão paralisações totais e parciais registradas desde dezembro de 2025, além da suspensão de atendimento em 27 linhas de ônibus.
Além disso, o Ministério Público destacou atrasos frequentes no pagamento de salários e demissões em massa de rodoviários. Esses fatores, segundo o órgão, agravam a instabilidade do sistema e afetam diretamente usuários do transporte coletivo na capital.
Outro ponto citado envolve a situação financeira da empresa Expresso Rei de França, integrante do consórcio, que está em recuperação judicial. Dessa forma, a recomendação do MP sobre o Consórcio Via SL indica que a crise impacta a operação e compromete a regularidade do serviço.
O Ministério Público também orientou a adoção de medidas emergenciais para evitar interrupções no transporte público. Entre as ações previstas, está a autorização, em até 30 dias, de novas empresas para operar as linhas afetadas.
Inclusive, o órgão recomendou a manutenção provisória do serviço até a realização de nova licitação. A recomendação do MP sobre o Consórcio Via SL busca garantir continuidade, regularidade e segurança no atendimento à população usuária do sistema.
Por fim, o documento foi encaminhado ao prefeito, à Procuradoria-Geral do Município e à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes. Os órgãos deverão informar, em até 10 dias úteis, as providências adotadas.
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