Governo Marcelo Jorge contrata 3ª proposta mais cara

João Jorge era 'operador' e o 'homem do cofre'.

João Jorge era ‘operador’ e o ‘homem do cofre’.

A Prefeitura de Godofredo Viana sob a gestão do prefeito Marcelo Jorge (PTB), afastado do cargo até o fim do mandato, oficializou em 2013 um contrato com o Posto José Bonifácio II, por R$ 844 mil, para aquisição de combustíveis e lubrificantes. A mesma empresa era uma das participantes de uma concorrência pública aberta no mês janeiro daquele ano e havia oferecido somente a terceira proposta mais vantajosa entre as três que ofereceram propostas, por meio de pesquisa de preço, antes de o certame ser aberto pela Secretaria Municipal de Planejamento, Administração e Finanças, comandada por João Jorge Neto, irmão do prefeito afastado.

O blog tomou conhecimento que o Ministério Público já investiga uma série de contratos fraudulentos no município, mas ainda não sabe se essa contratação especifica consta entre as que estão sendo investigadas. Na semana passada mostramos, por meio de documentos, que o certame estaria cercado de suspeita. As irregularidades podem ter motivando atrasos de salários dos servidores municipais que acabaram resultando no afastamento do prefeito Marcelo Jorge.

>>Irmão de Marcelo Jorge é suspeito de fraudar licitação

>>Prefeito de Godofredo Viana emprega doador de campanha na Prefeitura

Das três empresas que se interessaram em participar da licitação apresentando as propostas dos preços apenas a venceu contrato participou do pregão. As outras duas apresentam endereços distantes o que poderia inviabilizar o abastecimento dos veículos oficiais, mas mesmo assim se interessaram em participar do certame. Uma é o Auto Posto Shalon cuja razão social é M. R. de Almeida & Cia Ltda e outro é a empresa D. de Oliveira – Comercio e Serviços – ME cujo nome de fantasia é Posto Sucesso. A primeira empresa, segundo consta no cartão CNPJ, fica na BR-135, povoado Barbatana, município de Miranda do Norte; já a segunda empresa fica na Rua Antônio Ribeiro, 150, Centro, na cidade de Pirapemas.

Posto de Miranda do Norte queria ‘abastecer’ carros em Godofredo Viana.

Posto de Miranda do Norte queria ‘abastecer’ carros em Godofredo Viana.

 

 

Posto de Pirapemas também queria ‘abastecer’ carros em Godofredo.

Posto de Pirapemas também queria ‘abastecer’ carros em Godofredo.

Com a maior proposta, posto de Godofredo Viana 'venceu' a 'licitação'.

Com a maior proposta, posto de Godofredo Viana ‘venceu’ a ‘licitação’.

O direcionamento de algumas licitações também era comum durante os processos realizados na gestão Marcelo Jorge. Os documentos sobre a licitação de aquisição de combustíveis e lubrificantes reforçam ainda mais a fraude para viabilizar vitórias de empresas supostamente indicadas por João Jorge.

Em janeiro de 2013, a comissão de licitações da Prefeitura deu andamento ao pregão presencial 009/2013. Três empresas encaminharam propostas com valores diferenciados: o Auto Posto Shalon ofereceu proposta no valor de R$ 852 mil. O segundo preço mais vantajoso foi do Posto Sucesso no valor de R$ 854 mil. O Posto José Bonifácio II foi a terceira e última proposta mais cara no valor de R$ 868 mil, porém, foi considerado vencedor porque foi à única que participou do processo licitatório que foi um dos muitos que não estavam imunes às irregularidades.

OPERADOR DOS CONTRATOS
Conhecido como ‘operador’ e ‘homem do cofre’, João Jorge realizou doações para a campanha do irmão prefeito nas eleições de 2012 que somam R$ 5 mil. As doações renderam a ele o cargo de secretário Municipal de Planejamento, Administração e Finanças. Ele é o responsável, por exemplo, pela movimentação de todas as contas da Prefeitura. Nos últimos quatro anos, a pasta comandada por ele, realizou vários contratos entre os quais o blog vai começar a revelar nos próximos dias. Aguardem!

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Meia tonelada de maconha é apreendida em São Luís

Criminosos foram investigados durante seis meses (Foto: Divulgação/SSP-MA)

Criminosos foram investigados durante seis meses (Foto: Divulgação/SSP-MA)

A Polícia Civil apreendeu, na madrugada deste sábado (3), meia tonelada de maconha dentro de uma casa no bairro do Cohatrac, em São Luís. A droga, segundo a polícia, iria abastecer os pontos de vendas de drogas da capital e do interior do Maranhão. O entorpecente veio do Paraguai e está avaliado em R$ 2 milhões. Quatro pessoas foram presas e um menor apreendido na ação.

Os presos foram identificados como Luana Fernanda Soares, de 22 anos; Jhon Robert Aguiar da Silva, de 18 anos; Evandro Rodrigues Fonseca Araújo, de 21 anos; e o taxista Walmir Reis Pinheiro, de 35 anos.Todos os criminosos foram levados para a sede da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), no Bairro de Fátima, e, autuados em flagrante por tráfico e associação ao tráfico.

A droga apreendida ainda na manhã de hoje, foi encaminhada ao Instituto de Criminalística (Icrim), no Bacanga, para ser periciada.Segundo a polícia, o bando estava sendo monitorado há seis meses por suspeita de fazer parte de uma quadrilha internacional de traficantes de drogas.

No decorrer das investigações, os criminosos alugaram a residência no Cohatrac, por um valor de R$ 1.500, para servir de base das ações ilegais. “Eles utilizavam o taxista Walmir Reis para fazer as entregas da droga aos traficantes da capital como uma forma de despistar a polícia”, declarou o delegado Thiago Bardal, titular da Seic.

Denúncia anônima
A prisão do bando ocorreu depois que a polícia recebeu denúncias anônimas sobre um carregamento de drogas que chegaria durante a noite de sexta-feira (2). Com base nas informações, os policiais montaram um cerco e realizaram no imóvel, onde encontraram pouco mais de meia tonelada de maconha junto com os criminosos.

polícia ficou sabendo por meio de denúncias anônimas de que na última sexta-feira esses quadrilheiros iriam receber uma grande quantidade de droga para ser comercializada no estado, principalmente, na capital. Foi feita a campana e os policiais realizaram uma revista no período da noite dentro da residência, no Cohatrac, onde efetuaram a prisão do bando e apreenderam a droga.
O delegado, também, disse que a investigação vai continuar sendo feita pela polícia, pois, há possibilidade de haver mais criminosos envolvidos nessa empreitada ilegal.

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Manifestantes fazem ato em defesa à Lava Jato em SL

Maranhenses participaram na tarde deste domingo (4), em São Luís (MA), das manifestações em defesa da Operação Lava Jato. O ato na capital maranhense foi convocado pelas as redes sociais através do movimento Vem Pra Rua e teve a sua a concentração por volta das 16h15, em frente à Assembleia Legislativa do Maranhão. A manifestação em São Luís foi encerrada às 17h55.

De acordo com a organização do movimento, a manifestação em São Luís reuniu 100 pessoas. A Polícia Militar do Maranhão informou que não divulga mais estimativa de público em protestos.

No local, os organizadores iniciaram o ato agradecendo e parabenizando a participação das pessoas. Os manifestantes estavam vestidos em sua maioria de verde e amarelo e alguns carregavam a bandeira do Brasil. Os organizadores realizaram uma lavagem simbólica na escadaria da Assembleia. Eles pontuaram que a lavagem fazia referência a rampa do Congresso Nacional, em Brasília.

Os participantes do ato em São Luís defendem também as dez medidas contra a corrupção propostas pelo Ministério Público Federal, o fim do fórum privilegiado, além de apoiar o juiz Sérgio Moro. O protesto foi considerado pacífico.

Segundo a coordenadora estadual do movimento Vem Pra Rua no Maranhão, Helen Marques, o objetivo do ato é fim da corrupção no país. “O nosso principal objetivo é o fim da corrupção. A gente apoia o juiz Sérgio Moro. Não existe apoio por parte de nenhum partido político. O nosso movimento é um movimento livre e nós queremos a prisão de todos os corruptos e isso é independente do partido ao qual ele está filiado”, disse.

No fim da tarde a organização do ato dedicou um minuto de silêncio pelas vítimas do voo da Chapecoense e também pela morte do poeta maranhense Ferreira Gullar. Ao final, todos os manifestantes cantaram o hino nacional brasileiro.

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Autoridades decretam luto por morte de Ferreira Gullar

Governo e Prefeitura de São Luís decretam luto oficial

Governo e Prefeitura de São Luís decretaram luto oficial.

SÃO LUÍS – O Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís decretaram luto oficial pela morte do poeta maranhense Ferreira Gullar, que faleceu, neste domingo (4), de pneumonia , no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ferreira Gullar foi o sétimo ocupante da cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Ivan Junqueira, e recebido no dia 5 de dezembro de 2014, pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

Em nota, o Governo do Maranhão afirmou que lamenta bastante a morte de Ferreira Gullar e fala da contribuição do poeta para a cultura brasileira e maranhense. “O Governo do Maranhão manifesta neste domingo (4) profundo pesar pela morte do poeta, ensaísta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, escritor e dramaturgo Ferreira Gullar, que deixou significativa contribuição para a cultura maranhense e brasileira”, diz trecho do comunicado.

Ainda em sua notar de pesar, o Executivo lembra das dores dos familiares do poeta. “Neste momento de dor e luto nos solidarizamos com a família e amigos do escritor, radicado atualmente no Rio de Janeiro. O Governo do Maranhão decreta luto oficial, ao tempo em que reafirma a importância do legado deixado para a sociedade, especialmente a maranhense, com a imortalidade de suas obras e seu exemplo de vida”.

Prefeitura

A Prefeitura de São Luís também se manifestou e decretou luto oficial. “A Prefeitura de São Luís decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do poeta maranhense Ferreira Gullar, 86 anos, que morreu neste domingo (4), no Rio de Janeiro”.

Por fim, a nota fala em nome do prefeito Edivaldo Holanda Jr. “O prefeito Edivaldo se solidariza com a família, amigos e admiradores, desejando que Deus conforte os corações, neste momento de dor, transformando-a em fé e esperança”

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Poeta Ferreira Gullar morre de pneumonia aos 86 anos

Foto: Renato Cobucci / Imprensa MG / Imprensa MG

Foto: Renato Cobucci / Imprensa MG / Imprensa MG

Poeta, ensaísta, dramaturgo, tradutor, roteirista de TV e crítico de arte, o maranhense Ferreira Gullar morreu neste domingo, aos 86 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de insuficiência respiratória e pneumonia. Ele estava internado há cerca de 20 dias no Hospital Copa D’Or. O velório, que será realizado a partir das 17h na Biblioteca Nacional, prosseguirá nesta segunda na Academia Brasileira de Letras (ABL), para onde o corpo será levado às 9h.

Nascido em São Luís, capital do Maranhão, em 1930, José de Ribamar Ferreira foi figura fundamental na cena cultural brasileira, com vasta e variada produção, ao longo de décadas. Ocupava a cadeira 37 da ABL desde dezembro de 2014.

O interesse pela poesia surgiu na adolescência. Frequentava bares onde havia leitura de poemas. Seu perfil no site da ABL conta que leu os modernistas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira antes de se transformar em um poeta experimental radical, tomando como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”.

– Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema – disse Gullar certa vez.

Radicado no Rio de Janeiro a partir dos anos 1950, o poeta participou do movimento de lançamento da poesia concreta no Brasil. Logo se tornou um dissidente, aderindo então ao neoconcretismo, em 1959, ao lado de Lígia Clark e Hélio Oiticica. Militante do Partido Comunista, Gullar escreveu sobre política e se posicionou contra a ditadura militar, implantada no país em 1964. Foi preso e mais tarde exilado, passando por Moscou, Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires. Retornou em 1977, sendo então detido novamente e torturado.

Poema sujo, um longo poema com quase uma centena de páginas escrito durante a fase argentina do exílio, é considerado sua obra-prima. Muitas vozes(1999) também figura entre seus principais títulos. Outros destaques da carreira do maranhense são peças de teatro – escreveu Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída? em parceria com Oduvaldo Vianna Filho – e contribuições à teledramaturgia da TV Globo, a convite de Dias Gomes.

O intelectual recebeu diversos prêmios. Em 2007, venceu o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano, com Resmungos. Em 2010, conquistou o Prêmio Camões, o mais importante dos países de língua portuguesa. No mesmo ano, a Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lhe concedeu o título de doutor Honoris Causa.

Veja abaixo o poema de Ferreira Gullar Homem comum, de  1963.

Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.

Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bandejas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar
Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.

Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
Homem comum, igual
a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio
mancha a paisagem
turva as águas do mar
e a infância nos volta
à boca, amarga,
suja de lama e de fome.

Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas

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