Senado reduz espaços para as pequenas agremiações

A proposta de reforma política aprovada esta semana pelo Senado Federal é positiva para o sistema político brasileiro. É o que afirmam especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste. Eles creem que, caso seja chancelada pela Câmara Federal, a PEC/36 pode dar mais racionalidade ao acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e tv. Entretanto, há concordância também de que as mudanças não devem ser encaradas como solução para todos os problemas da vida político-partidária.

Proposta pelos senadores tucanos Ricardo Ferraço e Aécio Neves, o texto aprovado pelos senadores na quinta-feira, 23, prevê medidas como o fim das coligações para cargos proporcionais e uma maior rigidez no que diz respeito à fidelidade partidária, estendendo as regras hoje restritas a vereadores e deputados para cargos majoritários, como prefeitos e governadores com seus respectivos vices, além de senadores. Pela proposta, todos os cargos passariam a pertencer às legendas. Assim, caso o eleito mude de partido, pode acabar sem mandato.

Mas o ponto de potencialmente maior impacto é a instituição de uma cláusula de barreira, dispositivo pelo qual partidos só teriam acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e TV, entre outras coisas, os partidos que alcançarem, a partir de 2018, pelo menos 2% dos votos nacionais – subindo para 3% em 2022 – em pelos menos 14 Estados, com pelo menos 2% em cada um deles.

SEMELHANTE

“Isso (a cláusula de barreira) vai promover um melhor ordenamento dos partidos políticos e, com isso, permitir que Legislativo e Executivo possam chegar a bom termo sem articulações esdrúxulas”, declara Rodrigo Prando, sociólogo da Universidade Mackenzie. Ele diz que o sistema atual pode ser qualificado como “caótico”. Para ele, grande parte das alianças feitas hoje não contam com nenhum tipo de consistência ideológica.

O argumento é semelhante ao dos próprio autores da matéria. “O número excessivo de partidos representados no Parlamento cria problemas para a governabilidade, pois estimula o fracassado presidencialismo de coalizão”, defende Ferraço na justificativa da matéria.

As propostas de reforma política ocorrem, pelo menos, desde o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), antes, portanto, dos períodos de Lula e Dilma. Naquele tempo, o Congresso ou por chegou a aprovar a reeleição para cargos executivos e a cláusula de barreira. Esta, porém, acabou sendo entendida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como inconstitucional em 2005. Desde então, as tentativas de mudança têm ocorrido por leis ordinárias, como a Ficha Limpa, decisões dos tribunais superiores e da Corte Suprema, como a fidelidade partidária ou a proibição do financiamento empresarial.

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Governadores desfazem acordo sobre repatriação

Reunidos, governadores do Nordeste decidiram que não concordam com o acordo de ajuste fiscal sugerido pela UniãoSumaia Vilella/Agência Brasil

Governadores  decidiram que não concordam com o acordo. Sumaia Vilella/Agência Brasil

Os governadores do Nordeste decidiram, em reunião nesta sexta-feira (24) à noite, que não concordam com o acordo de ajuste fiscal recomendado pela União como uma condição para acessar parte dos recursos das multas do programa de regularização de ativos não declarados à Receita, conhecido como Lei da Repatriação. Eles vão enviar uma carta até segunda-feira (28) para o presidente Michel Temer explicando o posicionamento do grupo.

O consenso entre os governadores é que não é possível relacionar as duas questões ou determinar um modelo de ajuste único para todas as unidades da federação. Eles informaram ainda que não vão retirar as ações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) para receber os valores.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, foi o porta-voz dos chefes dos Executivos estaduais. “O que nós temos muito claro é que estamos fazendo ajustes, temos esse compromisso, e que não vamos confundir ajuste com essa questão da repatriação. São assuntos distintos, está judicializado, se puder se chegar a um acordo, ótimo”, disse à imprensa depois da reunião durante a noite de hoje no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, sede do governo pernambucano.

As multas da repatriação são aplicadas em cima de ativos mantidos por brasileiros no exterior que não recolheram impostos de forma indevida. O montante estimado pelos Estados a ser recebido é de cerca de R$ 5,2 bilhões. Existe um impasse sobre o direito dos Estados e municípios em receber parte dos valores arrecadados com as punições, o que levou governos estaduais a judicializar o caso.

Na terça-feira (22), o presidente Michel Temer recebeu os governadores de todas as unidades da federação. Foi anunciado que o governo federal se anteciparia à decisão do STF e liberaria os recursos. Em contrapartida, os estados precisariam fazer ajustes fiscais semelhantes aos propostos nacionalmente pela União, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que estabelece um teto para investimentos públicos, por duas décadas, de acordo com a inflação do ano anterior.

Também seria preciso desistir das ações judiciais. Sobre esse ponto, Câmara respondeu que os estados nordestinos “não” iam retirar os processos. “Vamos aguardar a Justiça. Temos uma liminar que já garantiu o depósito em juízo e a gente entende que a multa tem que ser repartida entre estados e municípios”, informou.

Dever de casa

Na carta a ser enviada a Temer, os governadores vão detalhar as medidas de ajuste fiscal já aplicadas “desde janeiro de 2015”. Segundo Câmara, os estados do Nordeste têm uma realidade diferente da observada em governos estaduais de outras regiões, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Por isso, não seria possível concordar com um acordo que estabeleça regras únicas para todas as 27 unidades da federação ou mesmo para todas os nove estados nordestinos.

“O ajuste já está sendo feito. É só ver o crescimento das despesas dos estados no ano de 2015. Os estados cresceram as despesas em 2%, 2,5%. Até se já tivéssemos uma PEC dos Gastos funcionando, teríamos feito nosso dever de casa sem precisar dela, porque a inflação no ano passado deu 6 pontos percentuais”, disse o pernambucano, que acrescentou que o “compromisso com o ajuste fiscal continua”.

Segundo Câmara, os governadores vão continuar cobrando o diálogo, a transparência e ações para voltar a crescer. “Temos certeza que com a retomada de obras para gerar emprego, ao mesmo tempo que o enfrentamento da seca, com as obras hídricas, buscar alternativas para a saúde, a segurança, tudo isso está sendo colocado”.

A Transposição do Rio São Francisco é citada como uma das obras que precisam ter uma “prioridade maior”, embora reconheça que a obra não resolve o problema como um todo. “Precisamos de obras complementares, como as adutoras, os ramais. É um assunto recorrente, mas precisamos reafirmar porque já estamos no quinto ano de seca sem saber ainda como vai ser 2017 em relação às chuvas”.

Autonomia

Antes da reunião, os governadores deram rápidas declarações à imprensa à medida que chegavam ao Palácio do Campo das Princesas. Uma palavra muito usada foi a “autonomia” em relação ao governo federal. “No nosso entender existe um choque entre o que foi conversado pelos governadores com o presidente da República e o que está sendo encaminhado pelo Ministério da Fazenda. É preciso compreender que tem que existir uma limitação nas relações de uma federação, ou seja, os estados têm autonomia”, disse o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho.

Um dos impasses no ajuste fiscal proposto é o corte de investimentos em políticas sociais, preocupação do governador do Maranhão, Flávio Dino. “Chega de recessão, chega de desemprego, é preciso que haja ampliação das receitas públicas, controle dos gastos que são dispensáveis, mas sem sacrificar as políticas sociais que são fundamentais para que o Brasil combata a desigualdade social e regional, sobretudo no caso do Nordeste. Minha expectativa é de muita unidade entre os governadores do Nordeste para que a gente ajude o conjunto dos governadores a encontrar um pacto federativo com o governo federal”.

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Fufuca é o 18º deputado mais atuante do Congresso

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O deputado federal André Fufuca, do PP-MA (Partido Progressista do Maranhão) foi classificado como o melhor parlamentar do Maranhão e o 18º na classificação nacional, em avaliação feita pelo site Políticos. Entre os deputados federais, Fufuca teve um desempenho ainda melhor, ficando na décima colocação.

O Políticos é um site que compara políticos de todo o Brasil, classificando-os em ranking por notas, do melhor para o pior. As notas são baseadas em oito critérios, que vão da presença nas sessões no Congresso a Responsabilidade Social.

Na avaliação do site, o parlamentar foi pontuado positivamente por diversos critérios, entre eles por estar sempre presente nas sessões, não responder a processos na Justiça e manter os gastos do seu gabinete dentro da média. André também sempre está presente nos municípios de todo o Maranhão, observando suas necessidades e captando recursos para as regiões. O deputado foi relator e presidente de comissões importantes, além de ter sido coordenador da Bancada federal.

Durante a solenidade de premiação, Fufuca afirmou que tem orgulho de defender o Maranhão na Câmara dos Deputados: “Eu recebo esse prêmio com muito orgulho na certeza de que o trabalho que foi prestado nesses últimos dois anos foi muito relevante, e ele só reforça o nosso compromisso de continuar fazendo o melhor para o nosso estado e para o Brasil.”

O objetivo do ranking do Políticos é monitorar a atividade legislativa federal e divulgar para a sociedade quais parlamentares contribuem mais para o crescimento e desenvolvimento do país.

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Maranhão é apontado como potência em energia solar

Entrega de sistema de energia solar à comunidade rural de Belágua, MA (Foto: Handson Chagas/Sectur)

Entrega de sistema de energia solar em Belágua, MA (Foto: Handson Chagas/Sectur)

O Maranhão é um dos melhores lugares do Brasil para geração de energia solar, segundo o engenheiro eletrônico e diretor técnico da ENOVA, Felipe Simões durante Seminário de Energias Renováveis: Investindo em um Futuro Sustentável’, realizado pela Secretaria de Estado de Minas e Energia (Seme) no Palácio Henrique de La Rocque.

Segundo o engenheiro eletrônico, o Maranhão é um dos estados mais promissores para o desenvolvimento de energia solar, que só no último ano cresceu 300% no Brasil. O barateamento das tecnologias para geração de energia solar e o crescente interesse das pessoas e instituições na geração da própria energia potencializam o crescimento do setor no estado.

“Estamos chegando a 100 usinas instaladas no Maranhão, entre micro e mini usinas, sendo que, no estado, nós temos por volta de dois milhões de unidades consumidoras. Então ainda estamos arranhando a superfície do que é esse mercado”, disse Felipe Simões, que também é mestre em automação e controle pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Para Simões, a instalação de sistemas de captação de energia solar nos agropolos, realizada pelo governo estadual, são um incentivo para a agricultura e a economia local. “Com um pouco de amparo técnico e responsabilidade, programas como esse tem um potencial de fazer muito bem para o produtor, principalmente para aquele pertencente à agricultura familiar”, ressaltou o engenheiro.

Sistemas de captação de energia solar para irrigação de plantações nos agropolos foram implantados, por meio de parceria entre a Seme e as Secretarias de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima) e da Agricultura Familiar (SAF). A iniciativa fortalece a agricultura familiar e desonera a produção dessas comunidades rurais na obtenção de energia. Agropolos dos municípios de Raposa e São José de Ribamar estão entre os beneficiados.

Alternativa de energia para a zona rural
Segundo o engenheiro eletricista e membro da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), Cláudio Martins, a energia solar é uma das alternativas mais viáveis para abastecimento de regiões remotas e rurais, onde há uma dificuldade de instalação de energia elétrica de qualidade.

“Nessas localidades, não há infraestrutura adequada porque o custo para levar energia elétrica até lá é muito alto. Então o governo estadual vislumbrou a utilização de energia solar de forma diferente de como era feita no passado, sem a necessidade de baterias que, com o tempo, tornam-se obsoletas”, disse o mestre de sistemas de potência pela Universidade Federal do Maranhão.

De acordo com o especialista, o novo sistema de energia, que utiliza bombas d’água para irrigação das plantações, dispensa o uso de baterias que precisavam ser trocadas a cada dois ou três anos, uma despesa que comunidades rurais não tinham como arcar e que gerava passivo ambiental.

Vantagem geográfica
“Estamos a dois graus da linha do Equador, com uma incidência de radiação solar caindo quase que horizontalmente por sobre os painéis solares aqui instalados”, explicou o professor de Engenharia da Computação da UFMA, Shigeaki Lima. Para o pesquisador, a localização geográfica do Maranhão coloca o estado entre os mais promissores do país não só no desenvolvimento de energia solar, mas de outras alternativas como a energia eólica e a energia dos mares.

Para Shigeaki, iniciativas como a entrega de kits de energia solar nos agropolos, promovida pelo governo estadual, são um estímulo para o desenvolvimento de tecnologia nacional no setor. “Esse investimento ajuda a despertar o interesse das pessoas em conhecer esse tipo de tecnologia e na formação de mão de obra especializada. Um problema que você tem ao importar tecnologia é que, depois de um tempo, as pessoas não sabem mais como operar aquele equipamento, que acaba caindo em desuso”, alertou o pesquisador.

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Eleição da Câmara fica mais acirrada com a vaga de vice

De O ESTADO – As articulações para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal de São Luís estão se intensificando. Diferente de anos anteriores, em 2017 não deve haver disputa pela presidência da Casa. As disputas, até o momento, são por outros cargos como o de vice-presidente e também por espaços dentro do legislativo como nas comissões e pela liderança do governo municipal.

Está praticamente definida a eleição do atual presidente da Câmara Astro de Ogum (PR). Ele não concorre à reeleição, cujo regimento interno da Casa não permite, já que a partir de 2017 é uma nova legislatura. Ogum tem apoio de maioria dos vereadores e também recebeu manifestação de apoio de funcionários do Legislativo Municipal.

O trabalho que Astro de Ogum estar tendo nas articulações passam pela formação de uma chapa para a eleição que ocorrerá em fevereiro do próximo ano, no primeiro dia de sessão com a nova formação da Câmara.

A indicação do vereador Osmar Filho (PDT) para ser vice-presidente, os espaços destinados aos partidos como PDT e PCdoB e ainda a discussão sobre a composição da mesa com a presença de uma mulher são pontos centrais das conversas que o presidente vem tendo com os vereadores.

Sobre uma vaga para uma mulher na mesa diretora, já foi definida que a chapa a ser composta terá uma vereadora. As discussões agora passam pela escolha entre as três eleitas para a próxima legislatura e também sobre qual cargo será. Estão na disputa Fátima Araújo (PCdoB), Concita Pinto (PEN) e Bárbara Soeiro (PSC) para ocupar ou a primeira ou segunda secretarias.

Também vem sendo debatido pelos vereadores os espaços a serem dados para cada partido. O PCdoB e o PDT devem ficar cada um somente com uma vaga na chapa a ser montada.

Reunião – No fim de semana passado, Astro de Ogum reuniu em um almoço os vereadores que apoiaram a candidatura à reeleição do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). São cerca de 22 parlamentares. Na próxima semana, o presidente deverá reunir os vereadores eleitos e reeleitos que não apoiaram o prefeito.

Segundo ele, além da eleição para mesa diretora, os vereadores estão acertando a realização de um seminário para detalhar o regimento da Casa para os vereadores de primeiro mandato.

“Estamos conversando, claro, sobre a eleição para mesa diretora, mas também conversando sobre a próxima legislatura e a possibilidade de realizar um seminário para esclarecer aos novos vereadores o funcionamento da Casa”, disse Ogum.

Além das articulações para a eleição da mesa diretora, o vereador Astro de Ogum tem desempenhado o papel de articulador para a formação de uma base de apoio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

Eleição pode ser sem chapa

Sem a previsão de problemas para a eleição de presidente, os vereadores discutem as demais vagas da mesa diretora. Algumas indicações como a de Osmar Filho para a vice-presidência tem sido a maior divergência para a composição da chapa encabeçada por Astro de Ogum.

Parte dos parlamentares não concordam com essa indicação e devido a isso já foi colocada a possibilidade da eleição para a mesa diretora da Câmara seja feita por cargo, ou seja, uma chapa não seria formada e os vereadores votariam separadamente para cada cargo.

Sobre essa possibilidade, Ogum disse que a conjuntura está sendo organizada e somente em janeiro deverá ter definições.

Vereadores ouvidos por O Estado dizem que a formação de uma chapa para votação por consenso pode não ocorrer não somente pela indicação de Osmar Filho para ser vice-presidente, mas também pelos espaços na mesa almejados principalmente pelo PCdoB e PDT, que de acordo com os parlamentares, já têm o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís.

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